terça-feira, 6 de dezembro de 2011

¨remoendo o que não faço





Então é isso. Tenho passado os dias assim, olhando para a cara cinza-claro da cidade, que me responde chorosa com uma garoa, em pleno final de primavera. E sempre que quero me fazer verão - não porque goste de muito calor, mas é que se chega ao mês de novembro, numa cidade como Curitiba, de clima choroso e melancólico, e se quer ver mais o sol...- foge-me qualquer possibilidade.
Minha mãe não gostava desses dias que se arrastavam em um cansativo e deprimente inverno retardatário quando tudo o que o corpo da gente quer é se exibir em vestidos floridos e mostrar os pés em sandálias enfeitadas de cor. Eu devo mesmo ter puxado dela essa ânsia por dias azuis pincelados pelo dourado solar. O curioso é que ela sempre me ouvia reclamar do calor excessivo dos dias modorrentos de janeiro, fevereiro...ou quando eles acontecessem. Tardia a minha percepção da falta que me faz o sol!
Agora uno meus pensamentos às sensações e tudo o que me vem é justamente a vontade de me esgueirar litoral acima e, como num passe de mágica, como quem brinca com o Google Maps, ir dar na costa do Nordeste. Sei lá. Paraíba, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte... as terras [ou areias] onde o sol pouco de põe.
Ah. Impossibilidade é um nome que a gente carrega. E pesa.
Essa coisa de não se poder largar tudo e sair até!
Essa coisa de não se encorajar e meter na mochila o amaranhado de teias de aranha - rançoso estar-sempre-no-mesmo-lugar que a gente mascara de 'não poder'.
Enfim, a rebelde de cabelos imensos transformou-se num isto: uma mulher de meia idade que não sai de Curitiba quando tudo o que mais quer é, justamente, sair, em busca de ar...ar salino, ar dos bons, ar!
E sol. Um bocado de sol de azeitonar a pele e dar de comer à alma.
E, de quebra, fortalecer com cálcio os velhos -quase ou já- ossos. Estes sim! Logo, logo, tão rebeldes que já não irão muito, muito além da pracinha do Japão!
É isso.
[[imagem : antonio silvino]]