quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

_____elos

Estava lendo alguma coisa de Nietzche, há pouco. Jamais me demoro nele, que sempre me dá uma certa 'aflição', se posso chamar assim. Ali, ele mencionava o abismo entre o animal e o super-homem, local onde se encaixa o homem,
que vem a ser uma corda ligando um ponto a outro.
Dessa vez, além da já mencionada 'aflição', senti, ou melhor, vislumbrei, a cena, em si. E deparei com aquilo que somos ou desejamos ser, tão pequenos em nossas limitações, pelas quais vamos até um certo ponto e...não mais...não mais...
Não sei bem por que, mas nesta minha mensagem que encerra o ano, quero deixar registrado esse anseio que nós é tão comum [ a nós, que ainda desejamos e tentamos fazer alguma coisa a respeito da mesquinharia reinante em nosssa espécie ] : sermos o que somos e respeitarmos os outros conforme eles são. Isso é tão básico que nem sequer deveria ser um ideal, porém é luta, batalhada dia a dia, sol a sol, bem sabe que sofre na pele os cortes, as navalhadas do preconceito.
O que realmente me anima [ e muito!] é que depois de passar toda a infância e a adolescência de minha filha ensinando a ela o valor de cada um e o respeito às diferenças, vejo-a forte e vigorosa a desprezar rótulos, preconceitos e ideias mesquinhas. Ela silencia a audiência, quando impõe sua voz e, bem articulada, faz-se entender com uma firmeza que nada tem de agressiva: ela consegue ser extremamente calma, quase doce.
Então, nesses momentos em que vejo uma jovem de 23 anos, ela própria vítima de preconceitos quando menina, sinto que tudo isso que está aí, deve ser trabalhado em casa. Sim, em casa. Em família. É preciso que se volte a dar educação aos filhos, em seu sentido amplo, buscando torná-los cidadãos de um mundo em constante mutação, onde cabem todos os tons, as nuances, os sons, as canções, os sorrisos e onde, definitivamente, deve imperar o amor. O amor, também ele, em seu sentido mais amplo: o amor que respeita, liberta e toca no outro porque se sabe que cada um, na verdade, é apenas um elo de uma grande, imensa, corrente.
Essa coisa de cada um fazer a sua parte não é balela, não.
É possível! E como é!
..__________________________________
[ que aprendamos a tempo a nos conectar!]

eu e minha filha Bianca,recém- nascida, em 1987*
____________________________________
um forte abraço
feliz 2011

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

____yesterday ♪

imagem : arktime


 Nossa!...Assistir ao "compacto do compacto" do show de Paul McCartney deu um nó...não apenas na minha mente, como aqui mesmo, na garganta... e o nós se desfez em lágrimas, mesmo. Que coisa. Desandei a chorar e, ali, naquele momento, chorei por tudo e por todos.
Todos a quem eu conheci, com quem dancei e ouvi as músicas, com quem compartilhei
as letras das canções do Beatles, que traduzíamos e aprendíamos e traduzíamos e cantávamos...
Puxa...estou mesmo me repetindo, nostálgica e tudo mais.
Mas...inevitável...e deixo fluir, oras!
Tenho lido muito e escrito bem pouco e, quando escrevo, tudo o que sai de mim reflete essa melancolia, essa saudade de não sei o quê...esse banzo.
O show de Paul me transportou para um tempo em que, por exemplo,
 meu irmão era uma espécie de ídolo meu...eu o admirava tanto...de repente,pensar que ele existe,  hoje, em outra esfera, fez-me sentir tão só...
então, uma lembrança puxa a outra e lá vêm os sonhos deixados pelo caminho, os rostos que não vejo mais, as ruas pelas quais caminho sozinha....coisas assim.
Ah...então entra Paul com um violão e canta 'Yesterday'.
Para mim, de novo, ele era um menino. Eu era menina.
Todos 'nós' éramos.
E estávamos ali. Cantando 'yesterday', mas, na verdade, pensando em 'future'.
Hoje, alguns tão espalhados pelo mundo,outros já em outro mundo e eu...
eu aqui, costurando a colcha de retalhos da menina, aquela,
que 'amava os Beatles e os Rolling Stones' e ainda ama.
Dá pra segurar a saudade?
...


quarta-feira, 17 de novembro de 2010

____caleidoscópio,pensamentos soltos


...

Um mês sem deixar minhas letras por aqui. Escrevi cartas,  li alguns livros, viajei, voltei. Sou eu mesma e também um pouco diferente.
Sorridentes mutações as nossas, já que aprendemos a nos modelar todos os dias.
Quantas cabem em mim?
Tantas e tão poucas, quase nenhuma, até, por vezes. Porque há uma mudança também em meu próprio espaço interior. Porque, muitas vezes, eu mesma não consigo caber em mim.
No entanto, não me faço mais tantas perguntas acerca do mundo que existe dentro das pessoas: aprendi a intuir sobre elas e penetrar-lhe os sentimentos, com naturalidade e com afeto verdadeiro.
Não...as perguntas que me faço está agora ligadas ao infinito que mora em mim, na essência que veio do escuro - luminoso... sou uma centelha e ainda me abstenho de desistir.
Minha força é a palavra que mora por aqui e sai de férias para que eu possa arejar a casa.
E, quando não consigo caber em mim, danço com minha poesia, pelas ruas de pedras úmidas de que me lembro de algumas noites...aquelas em que chove e depois, ressurge no céua  lua, imensa e bela.
Um sinal de prata pra se navegar.
...
É isso.
...
__________imagem: blog do João Bosco

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

___meus hiatos


...

As palavras estão em mim, mas eu não as escrevo. Têm um gosto de sal e de chuva, chegam a deslizar pelaminha garganta, mas eu me calo.
Fazem ruídos descabidos, como em um 31 de dezembro, em Copacabana, porque também resplandecem, mudam de cor, explodem, festejam-se a si e a um mundo que não comprendem.
As palavras não partiram. Vivem.
Mas são tantas e, no momento, causam tamanha dor, que eu as deixo à margem, deixo que fiquem a bordejar a avenida molhada de chuva e lágrimas que, neste momento, eu sou.

...

______________imagem: do blog 'o encanto das palavras'

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

____seguir [es]


...

Esquisito este seguir que só percebo quando paro e ouso olhar para meus pés.
Estão prontos para uma nova estrada - estirada -, ou parados, atônitos, inexatos?
Descubro, depois de um ou dois goles de vida, que não importa o que haja,
o próximo passo, eu darei.
Você também.

...

______________________imagem: agla.

sábado, 11 de setembro de 2010

_____outra vida


...

E lá estava eu, de novo, parada em frente ao grande relógio da estação de minhas letras. Marquei passagem para algumas horas antes do pôr-do-sol, porque sentia que precisava estar fora da cidade maldita de meus medos. Escolhi o destino usando o dedo e um mapa. Acertei em cheio  em uma ilha da polinésia da poesia, mas como não poderia chegar lá de trem, mergulhei na atitude sensata de embarcar para Minas e as vontades do Dirceu de Marília.
Ah...o tempo...angustiado, fazia graça de si mesmo e eu brincava de roda em torno dele.
Os ponteiros estavam inertes e eu cantava as canções que algum alaúde [mais antigo que a própria poesia de Dirceu] gritara séculos atrás.
Não sei. Sempre que eu queria voltar à estação de minhas letras havia uma razão maior para tudo. Principalmente para me ver florida, vestida em fitas e rendas.
Quando abria os olhos, o grande relógio engolira com avidez a minha poesia.
E eu sorria. Só.
...

_________imagem: s.tempo

terça-feira, 7 de setembro de 2010

____do que todos precisamos

____o que estou pensando

No que existe, para que existe.
Na finalidade de coisas banais.
Na falta de consolo de pessoas -milhões delas-
que se locomovem nesses feriados enormes que a gente tem
por aqui [coisa bem nossa]
____

Sei lá.
"tem gosto pra tudo",mas, quanto a mim,
fico aqui com um tanto, um bom tanto, de sossego,
com uma boa caminhada pela cidade
sem tanto barulho,
um papo ocasional,
bons livros e filmes
e...ah!
a música...
___________

Viajar, em feriados prolongados, para mim,
não dá.
As pessoas ficam loucas.
As pessoas ficam ainda mais estranhas.
E eu...eu já tenho estranheza suficiente em mim
e no 'entorno' [sic]
_____________________

Mas...'pra tudo tem gosto'!
Quanto a mim, fico por aqui.
E escrevo algumas cartas
'desbocadas'
para os nossos candidatos
tão....tão...
incansáveis em banalizar
o que não nos dá descanso:
gente! estamos no século 21
e....ah! pelo amor dos nossos
xixizinhos!
não temos saneamento básico suficiente!!!!!
_________________________

tá bom...
vamos festejar...

sábado, 4 de setembro de 2010



...
[trecho de 'lembranças da menina poesia', uma tentativa minha]
...

Ele não tocava mais clarinete. De olhos arregalados e rosto encovado, tudo o que conseguia ver eram as notas musicais perdidas pelo ar, sem que pudesse recuperá-las. Pestanejavam em volta dele feito borboletas escurecidas, enquanto ele tentava abocanhá-las ou agarrá-las com as mãos. Em vão. A música não voltaria. Tudo o que conseguiria seria um zunido persistente em seus ouvidos, logo depois de outra - a última - dose de heroína. Enquanto isso,as notas musicai borboleteariam rumo à esquina oposta.
Quando Anna viu novamente o clarinete, ele jazia ao lado do músico que morrera 'ninguém', esquálido e de olhos arregalados, deitado sobre a grossa camada de poeira e parecendo assistir a alguma sinfonia, no teto manchado pela infiltração da chuva.
Ela pensou em guardar para si o instrumento; afinal, quem daria por falta dele?
Mas Anna apenas se deixou ficar ali,correndo os olhos do corpo do homem para o clarinete. Ambos gastos, apenas um deles ainda com vida.
Ficou ali uma eternidade [em seu íntimo] até ouvir o som de sirene que se aproximava.
A mulher, a velha descabelada e mal-humorada, a senhoria do homem do clarinete chamara a polícia, o corpo de bombeiros e, com eles, os repórteres que faziam plantão em frente das repartições policiais, sempre a espera de uma notícia-desgraça.
Anna desejou aquele instrumento como desejaria poucas coisas na vida, apesar disso, deixou-o ali, ao lado do dono, guardando em si a lembrança do som que o homem, um dia, soubera tirar dele.
Ao sair, pôde ouvir a velha resmungar que o clarinete poderia pagar um tanto do aluguel atrasado...pelo menos um tanto...
Anna sorriu, tristemente. Foi para casa, sentindo-se cem anos mais velha e mil vezes mais só.
...

_gota eu sou

segunda-feira, 30 de agosto de 2010


...

'tuitei' há pouco que sinto-me em um momento vazio sem que esteja oca, como se os setimentos estivessem fossilizados.
É como tento definir  calmaria - aquela mesma, que não deixa os ventos bordejarem minhas velas para que eu possa singrar os mares ...
____
Algumas palavras [expressões] que uso soam tão antigas, não?
Estranhamente, faço isso desde muito menina.
Gosto delas. Descrevem tão bem minha velha essência...!
___
Eis tudo: um perfeito e redondo 'nada' e devaneio.
A mais certeira forma de alquimia quando o que sinto parece, a meus próprios olhos
[de alma], as bobagens
[aquelas que descrevem este mesmo espaço]
___________________________
imagem: quantum ilusions

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

____uma outra viagem


...

Não adianta. Quem escreve não deixa de ser triste. É uma essência entre outras, por certo, mas está lá. Uma tristeza infinda. Como uma tatuagem, marca a alma de quem escreve. Se não for assim, não escreve. Não tem jeito.
Então, vez ou outra, lá venho eu com minhas 'lamúrias'. A de hoje, por exemplo é aquela, antiga, que a gente ouve por aí todos os dias [ou quase]: 'tudo passa'.
E...passa mesmo!
E passa de um jeito tão rápido que, por mais que a gente saiba disso e sinta-se preparado, sempre se surpreende.
Quando se dá conta, abre bem os olhos ou os fecha momentaneamente - quem sabe tentando resgatar a imagem 'amarrada' à lembrança - e constata, aturdido: já passou.
Chamem do que quiserem.Nostalgia, por exemplo, é uma palavra linda e figura, por si só, toda uma legião de sensações, sentimentos, lembranças vivas.
Não importa o nome que se dê. Dói.
E mesmo que se tenha aquela frase pronta em mente, gravada ali a ferro e fogo, quase que por uma obrigação de toda uma geração [ 'eu não me arrependo de nada do que fiz...'] , sente-se a dor que é muito, muito próxima de um arrependimento. A gente se arrepende, sim. De ter passado. De não ter agarrado aquele momento um tanto a mais. De não repetir vários outros. A gente se arrepende de ser tãopassageiro em meio a um infinito que se expande...expande...expande...
Dói. Não importa o que digam.
Isso não quer dizer, em absoluto, que tal dor seja ruim e que nos leve a terríveis depressões. Não.
É da vida. A dor é da vida, sim.
Para cada um rima de um jeito. Mas rima.
E o que passa, fica ali, feito uma cena que se passa do lado de fora de uma janela.
A visão meio embaçada tira da gente a sensação de que quase...quase...pode tocar e, de novo, estar lá.

...

_____________________imagem: [aglaé.]

___traços de um gênio [isso, sim, é poesia!]

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

__prender o amor?


Dia desses, em uma de minhas passagens pelo Facebook, li declarações preocupantes acerca do que se 'precisa' fazer para 'segurar' uma pessoa, 'manter' um amor...coisas assim.´
Por essas e outras que, muitas vezes, me pego pensando que não sou deste mundo - eu e algumas pessoas que conheço, com quem divido ideias, pensamentos, poesia-. É que sou da turma que acredita que quando se 'precisa' fazer alguma coisa para 'segurar' alguém e se chama isso de 'amor', apenas se está caindo num erro muito grande. Um grande equívoco,  sim.
...
O amor não é algo que se possa segurar. Se é verdade que tal sentimento é como uma planta, a qual deve ser regada e cultivada dia após dia, isso é válido apenas se for feito de forma natural, espontânea.
Ora...quando duas pessoas querem realmente estar juntas, nada as impede. Acho isso muito simples, mesmo. Quem complica somos nós, que ficamos colocando rótulos e criando receitas estapafúrdias para isso e para aquilo.
Não. O amor não cabe nem mesmo em um poema, em uma canção, em uma melodia. O amor é mais do que o sentir apaixonado entre duas pessoas. Ao mesmo tempo, uma atitude simples, como o respeito, pode abraçá-lo e mantê-lo fortemente. Contudo, há que ser espontâneo e livre. Como o ar. Como a alma que mora em nós.
Não! Por favor...não vamos nem ao menos dar atenção para receitas vãs. Ninguém pode ensinar quem quer que seja a amar, a 'manter' um relacionamento. Somos tão infinitos em nós mesmos que, quando dividimos tal infinitude com alguém, é perfeitamente natural que haja uma explosão, uma implosão, uma densidade, uma atração, uma expansão...tanto mais!
Assim como é perfeitamente natural que haja um...ponto final para a caminhada que se fez em companhia do outro.
Infinita é a chama que habita em nós e o amor é feito da mesma matéria, é claro.
O resto? São páginas que estão em branco e serão totalmente preenchidas, são caminhos que terminam em algum lugar...e como, em tudo, o que vale é a verdade de cada um e seu envolvimento intenso.
Ninguém ama sozinho. Ninguém pode forçar ninguém a amá-lo.
O amor acontece. Ou não.
É isso.

________________________________imagem: guenter eh
_____a música: futuros amantes[chico buarque***]

sábado, 31 de julho de 2010

________príncipes,princesas e dragões, coisas da vida



...

Todas as coisas vividas têm um gosto de tentar e retomar e conviver. Muitas vezes, tudo isso foi demais para mim. E fugi de mim mesma e da possível felicidade com determinação e força - o mais rapidamente que pude.
Não me perguntem por quê.
São os motivos que redundam em um grande mistério, como a própria existência de Deus.
Sobrevivi a meus medos, mas isso não significa que consegui formar uma família melhor e mais saudável emocionalmente. Tudo é muito repetitivo em nossas histórias: repisamos, tantos de nós, os mesmos caminhos que chega a ser hilário o fato de cairmos sempre nos mesmos lugares.
Deveria haver uma informação genética precisa e urgentemente ligada cada vez que nos deparamos como os mesmos e antigos riscos!
Não sei. Devo ter me escondido suficientemente bem, pois o meu príncipe encantado jamais me encontrou. Por outro lado, consegui me manter a uma distância bastante segura de alguns dragões e até fiz amizade com outros, os quais me pareceram bastante bons.
Não foram poucas as vezes em que o fogo deles me aqueceu e seus voos deram-me a certeza de que também eu posso voar.
O príncipe faria algo parecido por mim? O que haveria, afinal, depois do beijo?
O que está nas entrelinhas do "e viveram felizes para sempre"?
Não sei.
Tampouco saberei, pelo menos por esta vida. Então, fico aqui conjecturando e esticando este meu ofício que é escrever: eu o faço à medida que vivo meus dias mornos de quase primavera, já que agora até mesmo os dragões [tão desacreditados!] rareiam por aqui, o que é uma lástima!
Acredito que as tais conjecturas, enfim, tornam possível este meu ofício e o exercício dele é amenizado pelas canções que ouço em meu pensamento e que têm o tom - o dom, também - de me fazer vibrar.
O príncipe deve estar cavalgando no seu cansado cavalo branco. Jamais voará como os dragões - que utilidade então, me poderia ter?
A princesa, esta sim, entre voos e cavalgadas, escolheu a sombra deliciosa de uma árvore de folhas verde-azulado, armou-se de uma pena e escreve histórias sem-fim.
É um bom final?
Certamente.Certamente.

[aglaé.]
_______as imagens: olívia antunes[escrever] e a outra, do blog 'coisas que nunca te direi'
____ a música: sonho impossível, voz de maria bethânia

...

sábado, 24 de julho de 2010

____à janela do tempo

...



dali eu via
tudo:
a vida, o vento, o espanto
.
e era como renascer,
dia após dia,
mas em um outro mundo
que não este
-usado, gasto, hostil, ainda
que meu -
.
revisitei a sensação
de querer voltar
e toquei o silêncio
com a ponta de
minha língua
.
ainda havia golpes
a serem desferidos:
ainda havia palavras
a serem ditas
e outras tantas,
a garantir
que jamais o fossem
.
.
.
fiquei ali
e a tudo eu
vi
.
o gosto do silêncio
em minha boca
foi como o sal do mar
.
e
então, o mundo
- o outro, que não este -
desapareceu

...
...

foi como o vento a soprar a
vela acesa de meus
pensamentos infantis
...
...

_______________imagem: do blog "surpresas ocultas.wordpress"

sexta-feira, 16 de julho de 2010

_____em tempo, o tempo







E por aí vai o tempo.



[insisto no tema!]



A madeira do banco da praça



está gasta: o dilúvio do relógio dos mil ponteiros



passou por ali.



.



É...



por aí vai o tempo.



Por que não reconheço o moço
que morava ali, na esquina,
e que, hoje,
de cabelos grisalhos,
faz de conta que
o lugar é "de menos" para ele?

O medo da vida,
o embrulho do medo
passou por ali



.
E tanto faz mudar
e estar
e ser:
o tempo invoca saudades
e sonhos
e carrega
frases,palavras e canções
.
Fico à toa, no tempo,
mas não à margem de seu poder.




...

[e por aí vai...]

____________________imagem: czarna

quarta-feira, 7 de julho de 2010

___resquícios de medo - 1.




...



Definiu seu medo como se ele tão óbvio qanto cada amanhecer e saiu: destrancar o portão era um gesto quase surreal e, se sentisse suas mãos, frias, saberia que estava superando-se . Mais do que poderia acreditar ser possível.

Pensou, ao mesmo tempo em que dava o primeiro passo, já na rua, que era, enfim, a primeira vez que saía depois de dois longos anos. Na verdade, uase três, se esperase mais uns três meses.

Lembrou-se de Louis Armstrong, em 1969, quando pisou na árida e distante Lua: 'um pequeno passo para um homem..'. Sorriu. Isso acontecera havia mais de quarenta anos!

Ali estava,chegando aos seus ouvidos, o burbrinho das ruas que se encontravam na esquina próxima à casa antiga. Os ruídos a invadiam e causavam uma certa fraqueza nela, coisa de amolecer as pernas, achou que fosse cair...tocou o muro, resistiu.

Mas...e o segundo passo?



...





domingo, 4 de julho de 2010

___roda-viva*


...

Há uma música do Chico que, volta e meia, vêm à minha mente. E eu a cantarolo. 'Roda-Viva".
Muitos anos se passaram desde que a ouvi pela primeira vez e ela sempre, sempre, ganha uma força imensa neste meu caminhar.
Já que ultimamente tenho passado em silêncio pelas minhas linhas, estou naquele campo morno que há entre a satisfação e a inquietude: sou o anonimato de mim.
E 'Roda-Viva' me retorna, com a mansidão das vozes brandas de Chico e do MPB4 a invadirem meus ouvidos que continuam adolescentes.
Faz tempo, muito tempo, que a gente cultiva, roseiras, jasmineiras, amendoeiras, cerejeiras...
mas, eis que chega a roda-viva e carrega cada uma delas...pra lá
...
...

_______________imagem: soulis





quinta-feira, 1 de julho de 2010

quarta-feira, 30 de junho de 2010


...
Tão 'sem assunto' e, ao mesmo tempo, as palavras ficam dançando, fazendo bagunça, para falar  verdade,em minha cabeça. Há muito o que dizer com tudo o que tenho visto, ouvido etc., mas meu silêncio se faz um muro gigante entre isso tudo e a escrita.
Opiniões.
De repente, elas me parecem vazias. Ou foram em férias para a África do Sul curtir a Copa.
Eu fiquei por aqui, ruminando páginas a serem lidas e revisadas, de livros jurídicos -chatos,óbvios- repletos de citações.Acho até que tenho ruminado muito mais do que isso.
Sinto tanto a falta de meu irmão e de minha mãe que, com frequência, dou com eles pela casa : com o espectro que me restou deles: a lembrança.
Então, ruminar acabou me trazendo uma gripe - não se enganem...o vírus tem mais força sobre os incautos.
Sei lá. Falo bobagens, penso seriedades. Quero me apaixonar de novo, por mim.
*Procuro pela poesia, a página ainda está vazia e a manhã, já chegou ao fim*
...
bobagens, alquimias
...

sou uma página perambulante
...
quieta, cabeça vã!

____________________imagem: quantum illusions

sábado, 19 de junho de 2010

_____sobre o que somos [sentimos,pensamos]


Hoje eu ia escrever sobre mais um livro lido, que foi delicioso de ler e que me fez viajar pelo tempo e pelos sabores de um mundo que recém-descobria especiarias para conservar alimentos, por exemplo.
Mas, a morte de Saramago calou-me e voltei a pensar na partida das grandes mentes do nosso tempo. É isso. No fato de que parecem escoar deste nosso mundo as melhores, as mais ricas, preciosas mentes.
Aconteceu o mesmo quando olhei para Mandela, dia desses, e cheguei a postar isso em meu flog, onde me referi a ele [Mandela] como um dos últimos grandes espíritos de nosso tempo. E ele já tem 92 anos.
O que sinto, o que tenho sentido, é uma espécie de 'sensação de orfandade'.
Sim, porque os séculos foram se acumulando esculpindo nossa raça -a humana- com o auxílio de espíritos maravilhosos, verdadeiras 'estrelas-guia', faróis norteando nossas mentes, nossa inventividade, nosso querer-crescer-aprender-evoluir.
Isso tudo,em meio a muitas batalhas sangrentas - no sentido literal ou não.
[e não vou mencionar aqui  aqueles que também passaram por este mundo usando as vestes de bandidos - a esses deve ter sido determinado tal papel a desempenhar, justamente porque sem o antagonismo, pouco ou nada se vence]
Entretanto, sinto agora que vivemos em um tempo órfão de tanta riqueza. Há uma variedade tão grande de insignificâncias! Há, sobretudo, um oceano de banalidades, de mentes 'rasas', de espíritos obscurecidos,trancados em si mesmos. Os passos são bem mais curtos. Poucos são o que trilham  a estrada do pensar.
Então, não se pode negar o vazio que se sente.
Não posso deixar de registrar mais esta marca do nosso tempo.
Homens e mulheres que tinham muito a dizer, falavam pouco, de modo compassado,mas deixaram um mundo inteiro dito.Esculpido.
Agora....quem sabe...a erosão do mesquinho esteja apenas arrastando a terra firme do saber.
Para lá de lugar nenhum.

______________________imagem: mscamp
a música é 'todo cambia', mercedes sosa[clique]

domingo, 6 de junho de 2010

____livro lido



De Markus Zusak.
A história, contada pela Morte, é bela, repleta de momentos de pura poesia humana.
Vale a pena e muito.

sábado, 5 de junho de 2010

_____um clique



...

vontade de sair fotografando o mundo
.
algo me diz que,
então,
a noite vazia
seria apenas
uma metáfora

...

________imagem . agla.

sábado, 29 de maio de 2010

___brevidade


...

Esses dias têm sido assim: confusos, estranhos,estimulantes.
O silêncio me avisa, gritando, que preciso vir.
Vir e escrever sobre flores e moinhos de vento, antes que a poeira baixe.
No entanto, do meu olhar não escapam os laços que me amarram suavemente,
à esquina em que agora estou.
Então, escrevo símbolos sobre as areias brancas da praia aflita: nada sei além do dia que me pega por inteiro e me rouba a poesia.
...
Por ora, é isso.
...
A.
_________imagem: do imotion

___a música: i'm between>>>macy gray









segunda-feira, 24 de maio de 2010

________aqueles dias...


____________________

Sem assunto, em silêncio, fecho os olhos e, por um momento, estou novamente em um amanhecer daqueles que vivi há pouco mais de um mês.
A sensação é forte e quase posso sentir o calor e o brilho da luz daqueles dias que nasciam
provocando minha tristeza como se quisessem me fazer lembrar da força da vida.
Não. Não era um deboche.
Era, simplesmente, uma verdade explodindo, todos os dias
A vida nascia.
De todas as maneiras, ela nasce.
E renasce, transformando-se.
Foram vinte e cinco dias que vi amanhecer ali, da janela de um quarto de hospital.
Cantava baixinho para minha mãe e dizia para ela que mais um dia nascera.
Falava do céu todo azul. Azul profundo.
 A atmosfera estava tão limpa que parecia abrir caminho aos anjos.
Dias perfeitos para minha alma, tão imperfeita.
Abro os olhos e já voltei.
Há um vazio recente e minha vida
e o dias...
jamais terão aquele sabor
de mãe novamente.
É....eles eram como os sorrisos dela...dadivosos
e o azul...eram com o amor dela...profundo...
_____________

Veio o assunto.
Não é tristeza, não. 
É lembrança trazendo saudade
até mesmo da despedida.

É isso.
____________________________imagem: agla
a música: sunrise, norah jones >> basta clicar abaixo



quinta-feira, 20 de maio de 2010

____a palavra é: bordejar


[ou seria um ato?]


[enfim...a palavra descreve o ato]

.
Ela seguia calmamente.Elegantemente.
"Toda ela",   toda dona da certeza de que viver signinifica correr riscos.
[você me perdoa o clichê?]
Tinha uma lucidez impressionante.
Sabia que vivia entre a sarjeta e o céu  e que passava de uma para outro tão rapidamente
quanto emitiria um pensamento.
[se pudesse pensar realmente]
Porque era um emaranhado de sentidos, apenas e tão somente.
[ mas se até para isso, como dizem, há que ser bastante racional!]
Ah. Não importa.
Fazia parte do passeio e do asfalto e não se vestia de cor alguma além daquelas
que trazia na alma.
[ultimamente, muito cinza chumbo]
Alguém lhe faria um poema, se fosse branca, a lembrar a paz.
Entretanto, era igual a tantas, igual a muitas.
[embora teimosa, como ela só!]
Podia sim, ainda, encontrar alguém que não a chutasse, menosprezasse, ferisse.
Mas daí a ler poemas dedicados a ela?
[seria demais!]
Manchada, já não se lembrava de quê nem  por quê.
Seguia. O salto quebrara, mas ainda assim se empinava.
Para bordejar.
[bor..de..jar]
Entre o passeio e o asfalto.
Entre a sarjeta e o céu.
Quase sempre se culpando, mas ainda assim,
imperiosa, como se simbolizasse outra coisa
que não
'nada ser'.
[ah!]

_________________________________imagem: agla

segunda-feira, 17 de maio de 2010

____fuga virtual


.
Nada impede a confusão da cidade,
 quando a chuva cai e está anoitecendo e as pessoas estão enlouquecidas
querendo sair de algum lugar, querendo chegar a algum lugar.
Mas, quem sabe, um distanciamento virtual.
Por detrás dos vidros  respingados
da chuva que já é fria,
um jazz intimista
e a poesia
[boa, amada companheira]
e pronto:
dali em diante, assiste como a um filme 'noir'
a vida acontecendo, agitada,
cansada, furiosa,
do lado de fora
de quem pode fingir
alguma necessária
solidão
_____________________imagem :: aglaé [editada]

...a música, ali em cima, na caixinha mágica, basta clicar, é um bom jazz,
delicioso jazz de duke e coltrane...
_____________________________

quarta-feira, 12 de maio de 2010

_____ ir



E, de novo, a sensação de que comprei passagem só de ida. É assim que acontece. É assim que aconteço: ideias e sensações dançam em mim, aqui e ali, feito estalos. Às vezes, são fogos de artifício,outras parecem mais como uma estrela cadente - que de tão decadente se perdeu no mar do infinito.
É isto: estou indo e por lá fico [seja lá onde for].
Bebo um gole. É café com leite, meio-amargo, e serve para me dar aconchego.Mas a maior parte de mim está lá fora, mirando a linha do horizonte e sorrindo para o mar.
Vazio é o beijo que repousa em uma lembrança viva, aqui dentro, mas repleto é o momento em que me lanço - só pelo prazer - querer, ser - de somente ir.

A.

_____imagem: srv.[onephoto.net]



terça-feira, 11 de maio de 2010

____o que estou pensando



Já faz um tempo, escolhi. Janelas abertas e o vento bulindo, entrando, saindo, vivendo.
Faz muito tempo, resolvi. Alma solta e casa viva.
Infinito re*criar.

A.
_________________imagem: gorge h.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

___metáfora para aquele que não foi amor


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O amor, naqueles dias, era tão voraz que tinha fome até
do próprio medo.E me consumia.
Até que me faltasse toda a seiva que me tornava fértil de sentir;
 teimei até que obedeci à queima dos campos vastos de mim.
Até que desse com minha verdade mais tocante: alma deserta,forjada sob fogo sem fim.
O amor, nos dias que se estendiam sem que o sol saísse da posição mais alta,
secava e cegava meus olhos que só sabiam chorar como se, com isso,
fossem encharcar a terra e matar o deserto qu se fizera de mim.
O amor, naqueles dias,não era amor.
Era uma sede inquietante que nada vinha saciar - o sal das lágrimas apenas confirmavam a aridez onde me deitei, muda e febril.
Não. O amor, então, nada tinha de amor.
Era uma tragédia grega que agora jaz sob a terra partida do mais esquecido de mim.

A

________________.imagem. paulo madeira.




segunda-feira, 3 de maio de 2010

____imagem/mensagem


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Apesar de o século 21 gritar aos ouvidos de forma estridente os sons das descobertas já tão óbvias da tecnologia, não há como deixar para trás certas figuras de linguagem,cenas poéticas, explicações astrológicas, crendices populares...
coisas assim...da gente e do mundo que ainda traz marcas - algumas poucas, infelizmente -
de alianças antigas, tão antigas como a própria Terra.
Assim como a ligação entre a Lua e o feminino.
A Lua e a parte mulher dos seres e das coisas que existem e habitam mundos conscientes e inconscientes.
Inegável comparação.
Como a bela lua em seu minguante...tão pela metade, tão cortada -amputada- como uma mulher em pleno resquício de desamor e dor.
É como lamento silencioso que oscila enquanto orbita, carregada de lembranças e escurecida de sofrer em sua maior parte.
Minguante.Minguando.
E, note-se, não me refiro a desamor-paixão-desenlace amoroso.
Tudo isso é tão maior!
Mingua a alma feminina que se vê inteira -cheia- só se plena de amor.
Do amor real de que carece o mundo.
Do amor sentimento nobre que une gente e coisas do mundo.
Do amor atitude extrema de humanidade.
Do amor doação simples e gentil.
Do amor, exercício de dias e de noites.
Noite em que a Lua, tal qual a mulher, vela por sonos e sonhos
e desejos e lutas e lidas, de seus filhos, e filhos de seus filhos,
de filhos de outros que adotam como seus,
de seus pais, que tornam-se seus filhos...
e tantos mais...
Bela imagem, mensagem, a da Lua, sempre.
Como se agisse na noite,
 para tornar
límpido o dia,
que vem.
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A.

_______________________imagem : latające wyspy



domingo, 25 de abril de 2010

________dentro



...

Continuo olhando para mim e vendo adiante, como se o imenso espelho existisse apenas para além do agora.
Prossigo e insisto,nada é mais real que os passos que são dados através do tempo - este que dissipa o manto de noites e dias crispados da cólera de viver.
Explode o sonho e já sou o talvez.
Algumas letras escapam e escrevem feito estrelas até que formem
constelações dentro de um poema que não fui eu que escrevi.
Permaneço.
O amanhã já está bordado na toalha de mesa.
E as canções já foram escritas pelo próprio som.

...

A.

_____________imagem: valentina

quinta-feira, 22 de abril de 2010

_____lições


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E o que teria aprendido a cada dia, desses que se arrastam ou voam - já nem sei - entre mnhas apreensões e meus carinhos voltados à minha origem?
Talvez eu tenha me angustiado inutilmente - talvez a angústia seja sempre inútil mesmo...talvez eu tenha expulsado de mim alguma dor que desmaiara anos atrás junto do meu leito.
Posso ter aprendido a me desfazer do peso das palavras vazias, dos gestos bruscos e, até, das perguntas gastas.
Talvez a dor que minha mãe me ensina a vencer tenha me ensinado o domínio sobre minha fraqueza extrema e até a vitória sobre os excessos.
Lições que se tem todos os dias, num lugar como este têm um peso e um aproveitamento tão maior.
Como quando a gente mistura lágrimas nossas às de outrem e percebe que ambas têm
o mesmo gosto e sal. Do sal que tempera a vida e as almas.
Por ser o aprendizao minha mais cara missão, habituei-me a amar o preço pago por cada lição.
E aprendo sentindo que ainda nem comecei a aprender.
Que, quanto mais me vem, mais necessita vir.
E sigo, ainda que os que amo vão ficando pelas estações.
 Eu me mantenho no trem até que chegue a minha
vez de desembarcar.
Tomara com tamanha força.
Tomara com tanta dignidade.
Lições....
Tantas há que não me cabem.
Tantas há que aqui não cabem.
E a rara paciência de reconhecer-me sem nada saber.
E a lição que ensino?
Se posso, a de ter vontade de aprender.

A.
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imagem: sean dugan


quinta-feira, 15 de abril de 2010

____palavras e sentimentos soltos


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Faço orações, escrevo estórias, conto a minha história...eu me divido e me alinho em elos, sou partes várias entrelaçadas e sentimentos que formam círculos de mim.
Penso, caminho, olho pela janela. Solidão não me dói ou incomoda.
O que sangra é uma saudade gritante, esta que começa se agigantar e criar raízes, aqui dentro.
Janelas se acendem nos prédios vizinhos: as pessoas já chegam, se encontram e relaxam.
Voltam.
Eu...eu sou lembranças e uma voz de mulher que canta enquanto nina um bebê.
 Sou a parte que me cabe de alguém que está partindo.
E a certeza de que preciso aprender a me despedir.
Então, perceber os aneis entrelaçados
de vida gerada e amada.
Reconheço em meu próprio gesto, um vislumbre de aceno amado,
  lento e tímido.
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Sou orações e minha história.
 Entrelaçada à dela.
Minha aliança, minha mãe.

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imagem : A.


terça-feira, 13 de abril de 2010

______sobre dons



E os dons que se aprende com o passar dos dias e das estações: como o de não se deixar esmaecer e reprimir e repartir e despetalar.
São dons que nascem de nossa insanidade mais que provada, para que possamos vir a ser sãos.
E por aí vai...o aprender que não se cansa de ser parceiro.
É bom esse gosto na boca: parecido com o que não mata  a sede, porém a atiça
mais e mais.
Bom, o som das notas destemidas pelo ar: o mesmo da alegria de se saber eterno.
E repito, em todos os sentidos, o prazer de ser parente de estrelas que, incandescentes,
ainda fazem nascer flores nos muitos jardins do universo.
E poder viajar em plena lucidez...
_____________________________A.
________________imagem: sonja foos

domingo, 11 de abril de 2010

_______em tempo

somos mesmo
um gigante
e eterno
-pobre de nós-
Haiti
____________A.

sexta-feira, 19 de março de 2010

______despedidas


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Chegadas e partidas. São tantas e tão frequentes...!
Há que se exercitar o sentimento provocado por uma e outra, porque há
sensações únicas que se repetem ao longo de nosso caminhar por aqui.
E, entre poucas - quase nenhuma - certezas que temos estão justamente dois extremos.
Chegar e partir.
Saber se despedir.

A.

___________________imagem: phil douglis




terça-feira, 9 de março de 2010

________volta?

Andarilhando por aqui. Saudade de sentir sob meus pés o chão que me sustenta.Vontade de ficar escrever até...!
Ainda está tudo muito confuso, mas ensaio a volta, porque a palavra me chama e sou o vento
de manhãs, tardes e noites de silêncio e som.
Aqui ou ali.
Estou.
__
A.
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imagem : anna pagnacco

sábado, 30 de janeiro de 2010

___sic

que conste nos autos:
hoje, aqui, não choveu
[ainda]

____ na segunda pessoa [lembrei-me de ti] rs*

tenho cá meus rumos e os sigo, allheia que vou à tua vontade
.
sou teu paraíso, mas arriscas abrir o portão
contrário
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nada me cabe além do que tenho:
apenas o que fui e sou e serei
.

um rio a fluir
barulhento
ou
a brisa que remexe
e solta
teus sonhos
pelo ar
.
.
.

A.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

____acabei de ler

Um dos programas a que gosto de assistir na GloboNews é, justamente, o 'Espaço Aberto", comandado pelo jornalista Edney Silvestre. É um deleite para quem é uma espécie de 'viciado' na palavra e ama a literatura.Edney deixa os entrevistados tão à vontade que a conversa flui mansa, solta e a gente acaba aprendendo muito.
Mas o livro dele, ' se eu fechar os olhos agora', é tão ou mais delicioso!
Eu me entreguei à leitura dele sem cansar e mergulhei nos anos sessenta [década em que nasci] de forma natural e sentindo uma melancolia forte aqui, como se conhecesse os protagonistas, Eduardo e Paulo.
É um ótimo livro, com toques bem dosados de thriller e escrito da forma como Edney fala: mansamente, envolvendo a gente.
Vale muito a pena ler.
Um trechinho delicioso:
" Tarzan tinha sido meu personagem favorito até então, eu era bom nas brincadeiras com cipó, mas tanto a selva africana do lord Greystoke quanto Oklahoma, onde eu achava que ficava o faroeste de mocinhos e bandidos, começavam a desbotar o encanto, sem que eu soubesse por quê. Eu também gostava da ideia de ser um gênio da ciência e inventar remédios que poderiam curar as piores doenças, talvez uma vacina tão poderosa que acabasse com todas as doenças. Ou era ele quem queria ser cientista. Um de nós achava que poderia se tornar presidente do Brasil e acabar com a seca e a fome no Nordeste. Acho que era ele. Nós dois tínhamos, entre tantas ambições que nos pareciam perfeitamente possíveis, a de um dia viver no Rio de Janeiro. Brasília tinha sido inaugurada havia menos de um ano, mas aquele de nós que se tornasse presidente levaria a capital de volta ao Rio. Nós tínhamos doze anos. Era um outro país, aquele. Era um outro mundo, aquele."
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

_____uma verdade:




" Os filósofos já interpretaram o mundo de diferentes maneiras, a questão é transformá-lo."
[Enrique Dussel]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

_____mais uma do fred

Mais uma vez, 'fuçando' no blog do Fred, o http://peloamordavacajersey.blogspot.com/, dei de cara com uma dessas delícias de se ler. Ele puxou lá do filme 'Sinais', um trecho de diálogo em que o personagem de Mel Gibson fala sobre fé.
Em minha mente, a lembrança de um momento forte que, no entanto, não tive o capricho de guardar.
Por isso, peço a vênia ao blogueiro Fred, esse jornalista que estou gostando muito de ler, para colar aqui um guardado seu, que acabou por reavivar minhas impressões sobre o tema.
É isso. Vai lá:

"Pessoas se dividem em dois grupos. Quando acontece algo muito bom, o grupo um vê isso como mais que sorte, mais do que uma coincidência. Para eles isso é como um sinal, uma evidência de que existe alguém lá em cima olhando por eles.
O grupo número dois vê apenas como sorte, apenas uma oportunidade feliz.Tenho certeza de que as pessoas no grupo dois estão olhando essas luzes de uma maneira muito suspeita. Para eles a situação é “fifty-fifty”. Pode ser ruim. Pode ser bom.
Mas lá no fundo, eles sentem que não importa o que aconteça, eles estão por eles mesmos. E isso os deixa cheios de medo. Mas tem também muita gente no grupo um. Quando eles olham para essas luzes, eles olham para um milagre.
E dentro deles eles sentem que não importa o que esteja para acontecer, existe alguém que irá ajudá-los. E isso os enche de esperança.
Você precisa perguntar a si mesmo que tipo de pessoa você é?
Você é do tipo que acredita em milagres.
Ou acredita que as pessoas tem apenas sorte?...”
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[Fred fez a postagem a que me refiro por conta do que ocorreu - continua ocorrendo - no Haiti]

_____não estacione


Não gosto de proibições.
Prefiro considerá-las limites : são necessários e quem é pai/mãe sabe disso tão bem quanto eu.
Pois bem.
Uma de minhas 'brigas' é justamente algo que soa como uma espécie de delimitação.
Para que não se estacione, de forma alguma.
A vida, em seu sentido mais amplo, é veloz!
Os fatos, os atos, as coisas, as gentes, movem-se como que num caleidoscópio gigante e não há que se permitir parar: de aprender, crescer, beber da fonte das ideias, da arte, da cultura, da humanidade. Para que se escreva/desenhe/cante/viva/mude a história.
De todos nós.
É isso.
____________________________________________A. [imagem, mais uma viagem minha, pelas ruas da cidade]

_____clique para conhecer um ótimo blog e uma postagem 10

sábado, 16 de janeiro de 2010

_____aqui


Continuo aqui, embora a palavra me tenha faltado para que eu escreva como gosto : como numa avalanche que esmaga as dores e semeia a paz desejada.
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Persisto: a hora chega e ela, somente ela, sabe quando vem.
A. [imagem, A.]