quarta-feira, 29 de outubro de 2008

_______a palavra é:


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Geralmente estou com a mente - e a alma - carregada de palavras, entretanto hoje uma delas está sobrevoando meu
espaço e entrando e saindo de mim.
Desamparo.
Por quê?
Não sei ao certo.
Estava lendo Saramago e seu Ensaio sobre a Cegueira, cheguei a essa palavra e, de repente, parei. Coisas malucas assim de vez em quando acontecem, com quem tem por mania as palavras, com quem habita o mundo versátil delas, com quem se habituou a frequentar a fluência delas como quem passa num barzinho antes de ir para casa.
Mas a palavra de hoje é mesmo esta: desamparo.
De.....sam....pa....ro
No dicionário: " s.m. Falta de amparo, de proteção."
Aqui, em meu pensamento, mais uma alusão aos sentidos abandonados, amores fracassados, sentimentos de solidão. Perda de um amigo, de uma amado, de um amante.
Falta de dinheiro, falta de teto, falta de emprego, exclusão.
De...sam...pa...ro
Abandono. Desabrigo.Penúria.
Sentimento de quem procura, procura e não encontra um abrigo, uma palavra que dê força e alento, que dê sustentação.
Figura de retórica para tantas colocações. Usei-a ainda hoje mesmo: ...olhos de desamparo...
(referindo-me a um olhar baldio, perdido, triste).
Desamparo.
Abandono à própria sorte.
E assim pensando, acabo por mergulhar na sensação de frio e mal-estar que as pessoas sentem quando sabem ou pressentem que nada - nem ninguém- pode acolhê-las de fato.
Algumas pensam que nem mesmo um Deus está em algum lugar para abraçá-las.
Outras sentem-se tão desamparadas que procuram o andar mais alto de um edifício e gritam seu próprio horror e dali mergulham no vazio espaço entre a dor e o depois - e o que há depois? Buscam justamente o amparo, lá. No depois.
Exceto a expressão que cabe na poesia, toda a forma de desamparo é dor.
Dor de alguém que podemos ser nós mesmos.
Por outro lado, se estamos todos conectados, não há desamparo, de fato. Há uma momentânea pane no sistema que nos conduz e, conduzindo, une.
De...sam...pa...ro.
Falta de amparo. Falta de mão. Ou, falta de irmão.
Para além de fantasias, para além de só palavra, um mundo de caos e desprezo, exclusão.
E muito mais.
Uma palavra jamais é apenas uma palavra. Não...não é.
A.
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imagem: erik reis

domingo, 26 de outubro de 2008

__________depois de dias


Os dias que saem de mim são mesmo como gotas. Acho que insisto nessa imagem para definir o que vem de mim porque eu mesma me sinto fluídica e me derramo quando escrevo.
Muitas coisas a gente viu e ouviu durante a semana - para muitos o pote acabou por transbordar, tamanhas as barbaridades que a gente lê, ouve, assiste...
Semana rasa.
Rasos muitos corações e mentes que se viu por aí, por aqui, em todo lugar.Mas, enquanto isso, eu fui me derramando em gotas, talvez para tentar remediar meu próprio desatino, já que sou parte desta raça rasa,sem vida, sem graça.
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imagem: isabel gomes da silva

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

_________motivos



Cecília Meireles tinha um jeito muito próprio e ao mesmo universal de dizer - de se dizer.

Escreveu:

"Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta." ( em *Motivo*)

Hoje fiquei pensando nisso. No porquê de escrever, de cantar, de contar histórias. Fiquei imaginando por que faço isso se quase ninguém me lê. Ora, bobagem, ego ferido, coisa que o valha. Porque também eu escrevo porque amo escrever. Mais do que isso: escrevo porque escrever para mim é ato natural e próprio, adequado perfeitamente aos momentos que se seguem assim como os dias de minha vida-passagem.

Escrevo, porque a palavra é para mim como tinta e pincel. E corro a colorir sobre o cinza, criando cores que só para mim vibram e brilham.

A.

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imagem: chris sofopoulos

________linda canção:*restolho*. Mafalda Veiga(ouça)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

________brindando com café

Um bom café com leite , uma mesa bem colocada,
própria para uma conversa sem maiores intenções
além daquela de ter idéias sobre tudo e
acabar salvando mundo num brinde só: "as coisas mudariam, se a gente mudasse".
Ah! Um café com leite e tempo para curtir o tempo.
Por cima da gente a clarabóia gigante que deixa o céu se derramar
por todo o ambiente do shopping.
Em volta, o burburinho dos que ficam pra lá e pra cá.
Ah! Às vezes gosto de estar em um shopping.
Principalmente se for pra tomar um bom café, bem à vontade,
como o do Doce Estação, no Shopping Estação.
Altos papos ou então um bom momento de observação.
Para depois pensar e repensar e escrever, escrever.
Talvez, sobre o tempo. Este mesmo, que não pára de correr.
A.
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imagem: a foto é minha mesmo

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

___________uma saída



Há um cansaço intenso, imenso. Sou a partida, o primeiro passo adiante e sem uma sequência infinda de outros passos que me levam para muito longe daqui.

Sigo meu pensamento, vou com o vento e não quero pensar, porque cada pensamento é perigoso no sentido de me deitar novamente à mágoa e ao rancor, coisas que não quero sentir, não quero ver.

Eu abraço meu caminho porque é o que tenho a abraçar e me sinto pequena e vã, menor que o grão de areia daquela praia que, há muito, abandonei. E cada palavra sai de mim sem sentido, porque sou um sopro, agora.

Mas ainda sou eu. Há pessoas que não entendem isso, mas eu entendo. Ser o que a gente é, por inteiro, não é fácil, nem sempre bom e vantajoso, porém é tudo o que se tem, é a bagagem mais cara e preciosa.

Escrevo por escrever e, de repente, tudo faz sentido, mas naturalmente não para quem me lê. Não importa. Estive aqui. Isso me faz presente e adequada à minha realidade. O resto são sombras.

A.

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imagem: mariah

sábado, 11 de outubro de 2008

_______gotas de mim


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Há dias em que a gente pensa como se um conta-gotas determinasse a dose de nossos pensamentos.
Hoje é um desses dias.
Eu estou gotejando pensamentos.
Pode ser até que isso combine de alguma forma com a garoa lá fora, que derrama um pouco do céu que está cinzento há dias.
Contudo, não combina muito com minha forma um tanto bombástica de pensar.
Geralmente meus pensamentos vêm como uma explosão e faz barulho tanto aqui,dentro de mim, como exteriormente.
Algo amansa meus antigos fogos de artifício. E devo criar uma face que combine, então, com esse gotejar silencioso e fluido, que derrama doses certas de mim.
Uma nova face para uma mesma essência.É que, aqui dentro, hoje já é outono.
O amansar me faz bem.O amansar me faz mal.
Mas, sou eu. E isso é bom.
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A.
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imagem: s.dyk

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

_________prazer em conhecer

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Pois é.
Hoje conheci o blog da LOBA e me apaixonei pela maneira simples e apaixonada com que ela derrama por lá seus anseios, receios, seu cotidiano.
Vai daqui um grande abraço a essa mulher a quem admiro através das letras,
pelas quais acaba-se conhecendo a história de vida.
Muito prazer, LOBA.
Seu blog é que é cinco estrelas.
A.
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_________momentos da estrada(clique aqui)

imagem: web.blog mulher de 30

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

_________PS

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Acabo sendo o meu próprio avesso e um caminho de terra batida que se transforma em barro e, nos pés, pesa, pesa...
Porque quando estou confusa - e tenho estado assim - penso em tantas coisas ao mesmo tempo que saio de mim para cair exatamente no mesmo lugar.
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Estou a um passo de ser mais eu mesma do que jamais fui e me solto em busca de novos ares,
já que, por aqui, as andanças têm um cansaço implícito em cada passo.
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Leio e me informo.
Leio e me engano.
E saio.
Vou andar que ganho mais.
A.
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imagem: jurgatis

terça-feira, 7 de outubro de 2008

_______dias depois


E completam-se os dez dias de meu silêncio.
A palavra não me abandonou, não. Apenas estive ausente de mijm mesma, a cuidar de coisas e pessoas em volta deste mundo em que não me posso deixar ficar e que, muitas vezes, nem mesmo posso debruçar.
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Eleições deram resultado previsto, desde o início da campanha e Beto Richa se reelegeu à Prefeitura de Curitiba.
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Veremos.
Vejamos
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Tantas coisas erradas nesta cidade - e em todas as outras, afinal! - que a gente nem pode começar a enumerá-las. Mas, vamos à lida e fazendo a nossa parte.
Isso é o que vale. Sempre.
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Quanto aos dias....bem, eles têm estado cinzentos.
O friozinho é daquele chato, que parece tornar tudo inexpressivo.
Vento gelado, ar úmido, mas não consigo vestir um casaco mais pesado.
Então, nem é frio de que gosto.
Entretanto, que direito tenho eu de reclamar do clima?
Coisas e coisas.
Bobagens de sempre.
A.
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imagem: Bon