quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

_____velho mundo azul



[imagem: jdm.com]




Raios e relâmpagos.A tempestade eu não sei se está 
se aproximando ou indo embora, 
mas cai água lá para os lados da 
serra do mar. Uns anos atrás eu 
poderia dizer com facilidade se 
aquela chuva ia ou vinha. Hoje, eu 
já não sei.A gente desaprende certas 
coisas - porque o mundo também 
desaprende a ser como é, 
machucado, ferido de guerra 
silenciosa travada ao se 
defender. De nós.Os humanos desumanos em 
questão.
Uma ferida exposta parece doer 
mais, muito mais que a minha dor.E eu choro pela dor deste mundo 
velho e azul.Sem a desculpa de ter crateras 
como a lua para se esconder ou 
uma cama para se deitar em um 
mar da tranquilidade, este mundo 
velho caduca entre o 
derretimento das calotas de 
seus polos e um casal de 
espanhóis que lhe fazem o que 
bem entendem. El Niño e La Niña 
se divertem, já que o planeta 
claudica com sua artrose 
crônica e sem vontade até de 
falar. Por isso só faz uivar 
ventos e tosse trovões. Mais os raios ainda são o sinal de 
sua incansável lucidez.
Mundo velho azul.Saudade de um amor partilhado.
...


A.Gil.




domingo, 27 de dezembro de 2015

_____escrevo, escrevo, escrevo

[imagem: via ruffledblog.com]



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Provavelmente eu ainda esteja escrevendo quando o sol aparecer sobre o horizonte e soprar luz sobre nosso mar verde tão escuro que é quase sempre cinzento. Porque a noite me ameaça com desejos invencíveis de transpor meus  limites que cantam madrugadas e acordam ainda sonhadores. E eu escrevo como se sangrasse uma eterna menarca.
É quase certo que a lua me encontrará escrevendo quando ela surgir, majestosa, depois de dar um belo chute no sol para avisar que à noite é ela quem manda porque as estrelas lhe emprestam o brilho e um par de brincos novos, todas as noites. E eu escrevo como se bebesse o leite de minha mãe todas as manhãs antes de me dar conta de que ela passou a obrigação de me alimentar à poesia.
Também estarei escrevendo quando o relógio de sol marcar a hora metade e o calor estiver tão abrasador que eu desejarei o deserto de palavras, em vão. Elas serão tempestade de areia a fustigar meus olhos e secarem meus lábios. E eu escrevo como se me banhasse à tarde toda no oásis de águas claras da vida irmã.
Tenho quase certeza de que estarei escrevendo quando algum médico me garantir pouco tempo à mercê desta atmosfera e eu, entre um espanto e um suspiro aliviado, possa me garantir menos enfadonha do que as letras que rabiscam receitas e prognósticos e diagnósticos. E eu escrevo como quem se cura de uma doença a cada dia.
Creio que partirei escrevendo, para desespero dos amigos que vão preferir chorar antes de me ler. Provavelmente acenarei letras com um lenço branco e uma mensagem coerente em meio a mistérios incongruentes.
E meus olhos fechados estarão lendo tudo o que escrevi e escreverei ainda, como se assistisse a morosos veleiros transpondo mares azuis.

_____

A.Gil.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

_____de idas e vindas


Caminho é feito para se ir e se voltar.
Caminho...ah! é feito para caminhar...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

_____janelas[e o tempo]

As janelas têm lembranças guardadas no que veem ao longo de anos de espreita e luz.
Registre-se o que está gravado pelas estações que passam com a velocidade de uma máquina do tempo. A voracidade egoísta do rodar da vida.
Alguém a passar. Alguém a chamar.
Um sob uma árvore, a pensar.
Mil vultos aqui e ali.
Repentes doidos como cliques de câmeras a fotografar o derramar-se fatídico do senhor de brancas barbas e agitadas mãos, porém voz calma em graves tons.
Janelas.
Ali sangram memórias.
Ali singram mares do tempo.


A.Gil