sábado, 31 de julho de 2010

________príncipes,princesas e dragões, coisas da vida



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Todas as coisas vividas têm um gosto de tentar e retomar e conviver. Muitas vezes, tudo isso foi demais para mim. E fugi de mim mesma e da possível felicidade com determinação e força - o mais rapidamente que pude.
Não me perguntem por quê.
São os motivos que redundam em um grande mistério, como a própria existência de Deus.
Sobrevivi a meus medos, mas isso não significa que consegui formar uma família melhor e mais saudável emocionalmente. Tudo é muito repetitivo em nossas histórias: repisamos, tantos de nós, os mesmos caminhos que chega a ser hilário o fato de cairmos sempre nos mesmos lugares.
Deveria haver uma informação genética precisa e urgentemente ligada cada vez que nos deparamos como os mesmos e antigos riscos!
Não sei. Devo ter me escondido suficientemente bem, pois o meu príncipe encantado jamais me encontrou. Por outro lado, consegui me manter a uma distância bastante segura de alguns dragões e até fiz amizade com outros, os quais me pareceram bastante bons.
Não foram poucas as vezes em que o fogo deles me aqueceu e seus voos deram-me a certeza de que também eu posso voar.
O príncipe faria algo parecido por mim? O que haveria, afinal, depois do beijo?
O que está nas entrelinhas do "e viveram felizes para sempre"?
Não sei.
Tampouco saberei, pelo menos por esta vida. Então, fico aqui conjecturando e esticando este meu ofício que é escrever: eu o faço à medida que vivo meus dias mornos de quase primavera, já que agora até mesmo os dragões [tão desacreditados!] rareiam por aqui, o que é uma lástima!
Acredito que as tais conjecturas, enfim, tornam possível este meu ofício e o exercício dele é amenizado pelas canções que ouço em meu pensamento e que têm o tom - o dom, também - de me fazer vibrar.
O príncipe deve estar cavalgando no seu cansado cavalo branco. Jamais voará como os dragões - que utilidade então, me poderia ter?
A princesa, esta sim, entre voos e cavalgadas, escolheu a sombra deliciosa de uma árvore de folhas verde-azulado, armou-se de uma pena e escreve histórias sem-fim.
É um bom final?
Certamente.Certamente.

[aglaé.]
_______as imagens: olívia antunes[escrever] e a outra, do blog 'coisas que nunca te direi'
____ a música: sonho impossível, voz de maria bethânia

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sábado, 24 de julho de 2010

____à janela do tempo

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dali eu via
tudo:
a vida, o vento, o espanto
.
e era como renascer,
dia após dia,
mas em um outro mundo
que não este
-usado, gasto, hostil, ainda
que meu -
.
revisitei a sensação
de querer voltar
e toquei o silêncio
com a ponta de
minha língua
.
ainda havia golpes
a serem desferidos:
ainda havia palavras
a serem ditas
e outras tantas,
a garantir
que jamais o fossem
.
.
.
fiquei ali
e a tudo eu
vi
.
o gosto do silêncio
em minha boca
foi como o sal do mar
.
e
então, o mundo
- o outro, que não este -
desapareceu

...
...

foi como o vento a soprar a
vela acesa de meus
pensamentos infantis
...
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_______________imagem: do blog "surpresas ocultas.wordpress"

sexta-feira, 16 de julho de 2010

_____em tempo, o tempo







E por aí vai o tempo.



[insisto no tema!]



A madeira do banco da praça



está gasta: o dilúvio do relógio dos mil ponteiros



passou por ali.



.



É...



por aí vai o tempo.



Por que não reconheço o moço
que morava ali, na esquina,
e que, hoje,
de cabelos grisalhos,
faz de conta que
o lugar é "de menos" para ele?

O medo da vida,
o embrulho do medo
passou por ali



.
E tanto faz mudar
e estar
e ser:
o tempo invoca saudades
e sonhos
e carrega
frases,palavras e canções
.
Fico à toa, no tempo,
mas não à margem de seu poder.




...

[e por aí vai...]

____________________imagem: czarna

quarta-feira, 7 de julho de 2010

___resquícios de medo - 1.




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Definiu seu medo como se ele tão óbvio qanto cada amanhecer e saiu: destrancar o portão era um gesto quase surreal e, se sentisse suas mãos, frias, saberia que estava superando-se . Mais do que poderia acreditar ser possível.

Pensou, ao mesmo tempo em que dava o primeiro passo, já na rua, que era, enfim, a primeira vez que saía depois de dois longos anos. Na verdade, uase três, se esperase mais uns três meses.

Lembrou-se de Louis Armstrong, em 1969, quando pisou na árida e distante Lua: 'um pequeno passo para um homem..'. Sorriu. Isso acontecera havia mais de quarenta anos!

Ali estava,chegando aos seus ouvidos, o burbrinho das ruas que se encontravam na esquina próxima à casa antiga. Os ruídos a invadiam e causavam uma certa fraqueza nela, coisa de amolecer as pernas, achou que fosse cair...tocou o muro, resistiu.

Mas...e o segundo passo?



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domingo, 4 de julho de 2010

___roda-viva*


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Há uma música do Chico que, volta e meia, vêm à minha mente. E eu a cantarolo. 'Roda-Viva".
Muitos anos se passaram desde que a ouvi pela primeira vez e ela sempre, sempre, ganha uma força imensa neste meu caminhar.
Já que ultimamente tenho passado em silêncio pelas minhas linhas, estou naquele campo morno que há entre a satisfação e a inquietude: sou o anonimato de mim.
E 'Roda-Viva' me retorna, com a mansidão das vozes brandas de Chico e do MPB4 a invadirem meus ouvidos que continuam adolescentes.
Faz tempo, muito tempo, que a gente cultiva, roseiras, jasmineiras, amendoeiras, cerejeiras...
mas, eis que chega a roda-viva e carrega cada uma delas...pra lá
...
...

_______________imagem: soulis





quinta-feira, 1 de julho de 2010