domingo, 22 de abril de 2012

_eu, domingo



Sempre achei os domingos difíceis, arrastados, lentos. Engraçado como a gente acaba se condicionando a uma ideia. Que besteira. Os domingos são dias como outros quaisquer. E mais um dia que a gente ganha para viver.
Mas essa coisa toda de condicionamento explica e expõe muito de nós - do quanto nos minimizamos enquanto pretendemos nos engrandecer.
Na verdade, somos tão pouco que acreditamos que um dia inteiro é menos que nós, que é menor que nossas vontades, nossos anseios.
Ah. Um domingo são as inteiras vinte e quatro horas a serem escritas, dirigidas e trabalhadas, depois de ganhas, quando um relógio autômato dá lá suas doze badaladas e já é madrugada, e já é novo dia.
Muita gente nasce e morre em um domingo - durante as vinte e quatro horas vive toda a sua vida aqui. Pelo menos aquela vida. Aquele trecho de um infinito caminhar.
Mas faz, de um dia, de vinte e quatro horas, tudo o que tem. E faz bem. Cumpre seu dia, sua vida, com a dignidade de quem aprende o bê-a-bá da vida - eterna sucessão de aulas.
Então, acabo de recuperar a alegria e meus domingos.
Resgatei a verdade de minhas manhãs preguiçosas e lindas - lindas apenas por serem manhãs, por ser domingo e por eu estar aqui.
E estar aqui, convenhamos, é uma bela oportunidade para, um dia, quem sabe, ser eu própria um domingo de luz.