domingo, 28 de setembro de 2008

____o agora


Minha dor não é pouca. No entanto é minha, somente minha.
Nem posso arriscar dizer que existe pelos outros.
Não. Minha dor é a dor de quem escolheu mal.
Este é o momento. E choro por mim.
Sem vergonha e sem receio.
Sem piedade.
Apenas choro.
Por ter que aprender pela dor.
Assim é.
A.
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imagem: ana luisa moreira


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

_______mentiras



A mentira me faz sentir assim. Detesto quando percebo que alguém está subestimando minha inteligência. Quem gosta,afinal?
A sensação é parecida com aquela que se tem quando, num sonho, a gente se vê totalmente despido e exposto assim, publicamente,ou, ainda, quando está sentado em um vaso sanitário para fazer as necessidades fisiológicas enquanto as pessoas passam para lá e para cá.
Quem já teve sonhos assim sabe do que falo.É esmagadora a sensação de insegurança,de não ter chão.
É como me sinto, mais ou menos como me sinto quando percebo que alguém mentiu para mim, alguém a quem amo muito e em quem confio.
Por incrível que pareça, no entanto, o que mais dói é a sensação de não se poder mais confiar, acreditar naquele que mentiu.Isso é terrível.
Gera uma insegurança muito grande.
___

Ando, aqui dentro de mim, de um lado para outro em uma sala circular repleta de portas - tal como Alice antes de suas aventuras.Quando a credibilidade de alguém a quem amamos muito está em jogo sentimo-nos culpados.
É isso.Sinto culpa.
Se mentiu para mim,deve ter achado que eu não aguentaria ou não poderia saber a verdade.
A sala é um círculo.Em que porta entro?Como trabalhar o recomeço dentro de mim?
Relações são complicadas.E são uma escola.
Ainda estou no Maternal.
É isso.
A.
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imagem: do site dos médicos da alegria, desconheço a autoria

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

______minha leitura de mim


Da janela do meu quarto avisto o sudoeste e costumo saber se vem uma chuva forte ou mais frio - é mais um pouco do que adivinhação, mais que intuição; aprendi a "ler" o céu ali, naquele canto.
E tem estado assim, nos últimos dias. Um restinho insistente de sol e o cinzento vindo, aos poucos, trazendo esse vento frio e a garoa.
.
Hoje, minha alma também ficou assim. E lá vou eu de novo tentar pintá-la com cores sobre o cinza.
No fundo, acredito que cada um de nós procura certas decepções que de fato vêm. Nada de mais. Apenas a vida acontecendo e o resultado de minhas escolhas diante de mim, atravessando meu caminho. O céu cinzento e o vento frio. Dói. E dói como antes doeram muitas garoas e ventanias. Mas vou seguindo. E sigo bem.
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imagem: de minha câmera

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

______foto do dia

neve em Curitiba, em 1975

____pois é

Vivendo o dia de cada dia.
Ainda faz frio, sim. Mas é verdade também que
ainda é inverno no hemisfério sul.
E daí?
Tudo está tão doido mesmo...quem vai entender?
.

Estou aqui, bebendo uma caneca de café com leite e pensando
no quanto gosto disso, desse cheiro do café e esse sabor
tão conhecido meu.
Lá fora, venta.
Em Curitiba ventava muito pouco.
Essa ventania diária é coisa de, sei lá, uns
cinco anos atrás em diante.
Será mais?
Sério...não ventava desse jeito, esse vento gelado
quase sempre, o dia todo, todos os dias.
Frio que não é frio por inteiro não existia em Curitiba, não.
Era frio mesmo. Muito frio, desde o outono.
Geada. Garoa gelada. Chuva gelada.
Noites de muitas estrelas e manhãs de lábios partidos
quase sempre.
Agora, não esfria daquele jeito. Pelo contrário, o sol esquenta e vem o vento frio
e deixa a gente mais confuso ainda e mais resfriado também.
Está certo que o clima aqui sempre sofreu mudanças repentinas -assim, umas três vezes por dia.
Mas....ah! Desse jeito...não...
É...estou ficando velha.
Falando do tempo e reclamando do frio por causa das juntas.
É isso?
Sei lá....o fato é que o café aqui, na caneca, é o mesmo...porém
o clima....esse...está muito...muito diferente....
-nem é novidade,mas acredito que se a gente prestar mais atenção
será, de alguma forma, mais útil.

É isso. Dia de frio e bobagens.Ou nem tanto.

A.
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

_____foto do dia



imagem: g.c.1

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legenda?

para cima e em frente!

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_____expressões do dia-a-dia


*A expressão "Inês é morta" refere-se a algo que, por ser feito tardiamente, é inútil.
A "Inês" de que fala a expressão viveu em Portugal de 1320 a 1355 e foi personagem de Os lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Ela teve um romance com o príncipe dom Pedro.
A mando do pai de dom Pedro, dom Afonso IV, Inês de Castro foi decapitada.
Ao se tornar o oitavo rei de Portugal, dom Pedro se vingou dos três executores do assassinato de Inês de Castro, ordenando que se lhes arrancasse o coração.
E concedeu à amante o título de rainha.
Mas era tarde.
Inês estava morta. *
por
Laércio Lutibergue,
postado no blog Português na Rede
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_________textos & textos

imagem: andré prado

Eu estava passeando pelos blogs e fui dar uma olhada no de meu sobrinho, o Marcelo. Acontece que ali dei de cara com um trecho de um dos textos que considero mais belos e que mora em meus ideais, como,acredito, no de muitas, muitas pessoas.Transcrevo a postagem do Marcelo, aqui:

"Em toda a Terra há muito a se aprender entre os diferentes povos, mas nesse breve espaço destaco um trecho da Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América, escrita em 4 de julho de 1776:


'Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade...'"

ps.: este é o blog do Marcelo:
http://www.portalbonito.blogspot.com/

domingo, 14 de setembro de 2008

___moinhos


Alguns dias têm dons estranhos, mas definitivos. Eles se apoderam de opiniões caducas e as reduzem a pó. Os dias... o tempo.
E eu vou me virando do avesso e entro no túnel para descontar um tanto
de dias que perdi
porque as horas eram inexatas
e não acerteavam meu coração.
O que importa é o caleidoscópio
que move sem moer os sonhos, a lida, a busca.
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imagem: by me