quinta-feira, 23 de julho de 2009

______verdade e meia

Às vezes tenho a sensação de que espero o tempo certo, em que algumas portas e janelas se abrirão para que passem por elas todos os dissabores colhidos pelos caminhos.
Não importa se foram poucos ou muitos - cada um tem a medida de si, o que carrega.
O fato é que não gosto da sensação de estar 'à espera' de coisa alguma - prefiro a atitude incômoda e a briga incessante.
Já estou me repetindo.
Porque escrevo seguidamente sobre isso, mas é minha verdade e preciso derramá-la quando já se acumula a ponto de não mais caber no jarro antigo que se faz minha alma por aqui.
Nas esquinas.
Solto linhas e balões se projetam para um céu de inverno insistente.
É a natureza e a minha acompanha a dos dias e do meu espaço.
Encontro aqui e ali alguns mosaicos que eu mesma fiz, um dia. Gosto de tocar neles e perceber que estive ali, sabe-se lá com que ânimo, com que sentimento, com que pensamento. É uma parte - em muitas partes - de mim.
E minhas passagens acabam, bem sei, escrevendo epitáfio tranquilo e súbito: serei, ainda, quando mais não for. Porque somos o que acreditamos.
E creio na vida estabelecida e perene.
De novo, já me repito por aqui... escrever é mesmo uma repetição insolente de sentires e pensares e buscares.
Uma roda - viva, gigante, trágica e cômica...- a girar insone pelo tempo que sublima o pouco e o torna maior e mais brilhante.
Por isso os epitáfios são tão tocantes.
A.

_________________________imagem : gerard koehl

terça-feira, 14 de julho de 2009

________andante


Ir e voltar para mim. Como as palavras de um poema que escrevi há anos. Mais que palavras, atitude: uma constante, em minha vida.
Andante sou.
Peregrina, vou.
Caseira, monja, ermitã, volto.
É meu pedaço de curiosa alquimia humana.
E a compreensão calma, serena,
de que o mosaico se constrói a cada dia.
E todos os dias.
Para sempre.
[este 'para sempre', ao contrário de muitos outros, acredito, existe]
A.
______________________imagem: martha albuquerque

quinta-feira, 2 de julho de 2009

___depois que você se foi

Hoje, pousei meu olhar sobre
uma imensa planície branca.
Foi assim que descobri como estava
me sentindo: sem o abraço
de colinas, montes ou montanhas
que me pudessem indicar
um limitar de sensações
...
E sei que até
passar esta lua,
será assim: sinto falta
do berço que me acolheu menina
e que sei estar
no princípio do esvanecer.
Inevitável esvanecer.
...
A.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

____olhar sobre mim[de fora para dentro]


Sigo, ainda, atônita, entre ruas obscuras e retalhos de dias que se esparramam
tão lentos quanto a chuva.
Sou um deslizar de gotas pela vidraça e ainda me pergunto algumas antigas questões que sempre me fascinaram.
Talvez, buscar seja mesmo o meu talento.
E...tudo pare por aí.
_____
A.

____________imagem: olho de agla, pela própria