sábado, 16 de novembro de 2013

____das metáforas dos dias

 
 
 
[imagem: Anna Alexis]


 Algumas palavras que lhe arranhavam as gavetas da alma, já não disse. Não faziam mais qualquer sentido. Sua boca parecia costurada com linha colorida como a boca das bonecas de pano e seu silêncio tinha um gosto de pão amanhecido e cheiro de café esfriado na caneca.
Entretanto, isso tudo era preferível a usar as palavras guardadas desde um tempo tão remoto que até a memória dele tinha tons sépia. Não que tivesse alternativa, já que os ouvidos estavam mais moucos do que nunca e as mentes tão rasas que repetiam atitudes burras travestidas de razão. Não que ela própria fosse genial.
Mas bem que sabia sair de labirintos maiores,
quando os reconhecia construídos por mãos de papelão e transístores.
Algumas palavras jamais diria.
E o bolor que elas criariam talvez fosse útil nos porões onde, deitados,
os vinhos esperam bocas e festins.

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