domingo, 30 de novembro de 2008

______flor miúda


.
Porque pode haver algum significado, a vida faz com a gente dê mais importância ao que é imenso. Parece que nascemos predestinados a conceber o crescimento como algo muito necessário, indispensável até,para que tenhamos força, talento e, por fim, sucesso.
.
Contudo, existem as diferenças. Existe o beija-flor e, claro, existe a flor miúda - bela e vivaz, dançando com o vento e colorida feito gota da natureza.
.
Penso que é essencial aprender isto também: a enxergar os pequenos seres que têm a leveza de percorrer o mundo a assanhar os olhos da gente, por conta de sua determinação - muitas vezes teimosia mesmo -mostrando-nos o quanto mais há no mundo que nos foi emprestado e ao qual acabamos a tratar tão mal.
.
É isso.
A.
_________
imagem: january grey

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

____tarde-cedo


O sono da paz.
Agora, tão tarde e ao mesmo tempo cedo - noite que já é madrugada, então é mais frio, mais úmido, mais silencioso.
Tarde da noite e algumas vozes distantes finalmente se calam. O que resta é a sensação de dormitar a vontade de mais ficar.
De mais não ser.
Nada.
Nada além de mim.

A.
_________________________________________________
imagem: simples ana

domingo, 23 de novembro de 2008

_______questões



Acredito que uma mulher só é inteira quando aprende a gritar com um silêncio seu. Acredito na força que há no ruído que vem de dentro da gente, porque ele é todo força, ele é todo amor. Mas, ainda gasto algumas horas pensando em por que algumas pessoas ( ou a maioria delas ) dedicam-se muito mais a ensinar do que a aprender . . . elas têm as frases certas e as conclusões brilhantes! Ora...! tão bom reconhecer-se aprendiz e não acreditar nas fórmulas mágicas que são exibidas nas vitrines da vida!
Eu acredito no tempo, acredito no caminho -mestres por excelência de um lapidar que pode não ser tranquilo e exato, mas que com certeza guardará a preciosa lição: tudo o que tenho a ensinar é a minha vontade de aprender.
A.
__________________________________________________
imagem: rosemarie k.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

_________querendo dizer, sem conseguir



Como cansa ouvir - ver- assistir a - saber de - casos de violência contra a mulher! A mulher, desde menina, ultrajada porque não tem força física suficiente para se defender à altura e porque (triste mencionar isso desta forma, mas é uma verdade que não cala) serve de receptáculo sexual para o homem.

Uma absurda indignação toma conta da gente, quando se é mulher e se sabe que não há muito mais o que considerar, apesar de todos os avanços que demos rumo a uma igualdade que está se detetiorando.

Fala-se, vive-se, come-se, vende-se, compra-se muito o sexo, nos dias que se seguem trôpegos rumo a um destino que não se mostra tão colorido como poderia parecer nos tempos em que a luta feminina fixava-se em tantas novidades. Assim,o sexo acaba sendo finalidade, loucura, delírio.

Dói ser mulher hoje.

Talvez doa mais do que sempre. Ou não.

Mas, não deveria doer.

A.

____________________________________________

imagem: cacos.1. .web

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

____________?!



**KARLA ROMERO Em São Paulo :

Na última segunda-feira (17), José de Abreu fez uma declaração em prol a Dado Dolabella. O ator foi denunciado pelo Ministério Público Estadual por lesão corporal, pela agressão à Luana Piovani, sua ex-noiva. Se for condenado, ele poderá pegar de três meses a três anos de prisão em regime fechado, de acordo com a Lei Maria da Penha.
Em seu blog, José de Abreu escreveu: “Festa de estréia, depois de uns champanhes, numa casa noturna classe A da capital do Rio de Janeiro é bem diferente de porradas diárias de um troglodita bêbado que bate na mulher num barraco no interior do Piauí - com todo respeito ao estado nordestino.”
O ator finalizou com um pedido para que Luana Piovani retire a queixa. “Ele não merece isso. O caso foi longe demais.” **
___________________
Eu li realmente isso? Não creio....
Acredito que o senhor ator José de Abreu pode, como qualquer outra pessoa, entrar em defesa de um amigo ou colega ou conhecido, mas, -por Deus!- com outro tipo de argumento.
Penso eu que troglodita é troglodita e ponto.
Em qualquer situação social, econômica.
O tal de Dado Dolabella já deu demonstrações públicas de in*volução, principalmente quando encontra um vasto campo pronto a ser semeado, tão in*voluído quanto, como o caso atual.
Não vejo diferença entre a pessoa em questão e o "troglodita" do Piauí, ou de qualquer outro lugar do mundo que está perdendo - em tempo recorde - a chamada "civilização".
O que muda é aquela espécie de verniz que nós mesmos insistimos em colocar em pessoas que se julgam algo mais. E não são. O público dá é muita "trela" para esses "pseudo artistas" e tal.
Quanto mais platéia certas pessoas têm, mais elas costumam demonstrar como in*voluem a olhos vistos.
Sr. José de Abreu, sinto muito. Seu argumento foi infeliz.
Pelo menos o "troglodita" piauiense tem um talento: o de não achar ser mais do que é!
Faça-nos o favor. Com todo respeito.
_________________________________________________________
A.

domingo, 16 de novembro de 2008

________esquinas


.
Muitas e muitas vezes eu fico assim: pensando nas esquinas e esquinas de minha vida e da vida de todos.
Esquinas.
Algumas, tão especiais quanto uma fonte de água limpa. Outras...ah! por outras a gente nem gostaria de ter passado!
Enfim, elas existem, até porque estamos mesmo caminhando por este mundão de meu Deus - elas são o entruncado sistema de ruas, ruelas, avenidas....da nossa vida.
E daí aos encontros, tantos inconfessáveis, até, tantos outros também inesquecíveis, assim como os confessáveis e inesquecíveis ou esquecíveis e inconfessáveis....por aí vai - tudo uma questão de como caminhar, de como encarar esse caminhar.
Esquinas. Tantas já se foram!
Quantas ainda virão?
Vibro por essas, as que ainda virão. Sinto a vibração de ainda desejá-las, uma a uma e saber delas para assim aprender mais de mim mesma. Assim como - e na mesma proporção, aprender os outros.
Esquinas.
Como essa aí, da foto. Em São Paulo. Um lugar que me assusta mas não me apavora. Que me excita e me alucina. Lá encontrei e encontro muito de mim. Em cada esquina que cruzo por lá.
E o caminho segue. Seguirá.
Até nem sei.
A.
_________________________________________
imagem: andrezza gomes

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

_________a menina com poesia no olhar


.
.
.
Muitas vezes já senti saudade da menina que fui .
Muitas vezes eu a procurei em vão como quem revira gavetas à procura de algo que não lembra de já ter dado a alguém . Um dia, tive mesmo a impressão de que ela havia passado pelas ruas de sempre e, alegre-triste como ela só, deixado um rastro de perfume e havia se transformado em saudade .
Ah! . .. muitas vezes pensei tê-la visto comprando pipocas do pipoqueiro que ficava lá, no Passeio Público, num domingo qualquer ; parecia estar sorrindo para mim enquanto corria para dar comida aos gansos . Afinal, ela jamais decidiu se sentia medo deles ou se os adorava . Talvez, as duas coisas .
Muitas vezes achei que não tornaria a vê-la, iluminada pelo sol ou pela lua, cantando as canções que ouvia no velho rádio de onde as notas saíam banhando a casa com um som de amor.
Vi algumas pessoas sentirem saudade, muita saudade, dela . Essas pessoas me perguntaram por onde andavam aqueles olhos que pareciam duas contas azuis (ou seriam verdes?) .
Dias desses, dei de cara com ela, ela mesma, a menina que eu fui! .
Estava ali... a distância de um toque, pendurada em meu pescoço, sorrindo e despenteando meu cabelo enquanto eu tentava arrumá-lo diante do espelho .
Agarrei suas mãozinhas quentes,queridas .
Ficamos a nos olhar assim, com um carinho imenso no olhar, sorrindo . . até que um vento travesso soprou mais forte, e meu diário, aberto sobre a escrivaninha, teve suas páginas mexidas, viradas agilmente .
Quando se foi o vento, a página que deixou de se mover continha uma citação de Isadora Duncan que eu escrevera anos atrás porque achara linda: “Você já foi ousada; não permita que a amansem” .
Quando olhei de novo para o espelho, a menina que eu fui não estava lá .
Bem, não exatamente . . apenas notei que em lugar dos meus olhos estavam as duas contas, belas e grandes, brilhantes e muito azuis ( ou serão verdes?) .

A.
_____________________________________
imagem: warren

terça-feira, 11 de novembro de 2008

______simples palavras


Sigo em busca das palavras e,
por vezes, é mesmo imensamente difícil
tê-las à mão. Geralmente isso acontece quando
o que se quer dizer é muito maior do que
se imagina.
Por isso divago por muito tempo, tateando
pelos lugares que conheço bem - se é que se pode de fato conhecer algo ou alguém.
As palavras são fugidias assim como os momentos,aprendi.
Fugazes e breves como o próprio correr do tempo.
Se tenho que correr para registrá-las, já sou passado, no instante seguinte.
Se me deixo ficar, na quietude da espera,
elas se mostram igualmente lentas, como se brincassem - então, feito pássaros, fogem assim que se percebem capturadas.
Talvez seja mesmo essa a maravilha de tudo o que é livre, de tudo o que simplesmente habita o mundo, sem pertencer a ninguém. Poder ir e vir. Poder significar ou apenas representar.
Ser símbolo. Ser sentimento sem ter sentido.
Ser uma pintura de histórias escritas antes pelo amanhecer do olhar de alguém.
A.
_____________________________
imagem: alberto g bacelli

sábado, 8 de novembro de 2008

________subir e subir


Sempre tenho sonhos muito intensos, desde menina. Enquanto durmo, é como se viajasse literalmente, para mundos que nem sei, onde faço coisas das mais estranhas. Subir, então, é uma das coisas que mais faço em meus sonhos. Isso deve, sim, ter algum significado. Acho até que não é preciso ser nenhum psicólogo para decifrá-lo.
O fato é que, mesmo acordada, acabo me sentindo muito assim também: subindo sempre, ou, com a constante necessidade de fazê-lo, empregando todas as minhas forças nisso. Entretanto, não se trata de uma ascensão profissional, social, econômica. É algo muito mais intrínseco e, por isso mesmo - talvez -, maior.
Subo, subo, subo, continuo caminhando e subindo, num esforço que me faz cansar, tantas vezes, quando não me dou conta de meus limites puramente físicos.
E, assim como escrever é como colocar mensagens em garrafas e atirá-las ao mar, aproveito para enviar mais esta: sou um esforço constante numa caminhada que não sei aonde vai me levar - sei apenas que estou empenhada nisso muito mais do que em qualquert outra missão em minha vida. Pelo menos, nesta minha vida.
É isso.

A.
_____________________________________________
imagem:gc1

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

____de quem é a vitória?


Não me omito ao fato de que o final do governo Bush e de tudo o que ele significou para o mundo me deixa profundamente aliviada. É como um sopro bom de ventos vindos do renascer.Tampouco estou alheia ao que representa um homem, filho de um negro do Quênia (ironia do destino!?), estar no topo do poder nos USA e, por assim dizer, do mundo.
Eu aplaudo os bons ventos que sinalizam mudanças, ainda que de forma sutil - aqui para mim, que tenho esta impressão medonha com relação ao que nos vem, a nós, do terceiro mundo, ou de um país emergente, como queiram, dos Estados Unidos da América. Aplaudo, sim. Porque sou uma admiradora de Martin Luther King e do sonho que ele plantou em solo americano hostil aos afro-descendentes.
Aplaudo, porque o velho e cansado mundo carece de um sorriso como esse, de Barach, tão seguro e tão elegante em sua maneira de se conduzir para nos fazer lembrar que não, não é necessário sermos tão belicosos contra nós mesmos.
Aplaudo. Tanto quanto me aquece ver como 44º. presidente de um país onde milhares de afro-descendentes sofreram um racismo violento e destemperado - como se fosse menos violento apenas o fato de senti-lo, o que acontece veladamente em todo lugar!-, um mulato que, naturalmente, deve ter tido que matar uma dúzia de leões a mais por dia desde sua mais tenra idade.
Ah...mas aqui, na minha insignificância, de onde estou, na América do Sul, num país que escravizou e explorou os africanos que nos vieram como escravos e que mesmo depois de "libertos" permaneceram sofrendo a angústia da marginalização, eu tenho mesmo é que pensar nos nossos brasileiros afro-descendentes. E, pensando, sempre, continuar lutando para dar vazão
à igualdade de oportunidades. E isso,começa em atitudes pequeninas. Viver as diferenças é mais difícil do que se pensa. Porém, num paradoxo, muito mais fácil também.
Será que vou ouvir alguém dizer que Barach é um "negro de alma branca"????
Ah...sabem que nem duvido?
Quando isso vai acabar?
A vitória, que seja de quem reconhece que o mundo que está nascendo, aos poucos, devagar, mas firmemente, só tem espaço para pessoas que estariam bem em Blangadesh, em Bagdá, New York, São Paulo, Juazeiro, Petrolina, Porto Alegre, São Paulo, Havana....
É...é bem isso. Perfeitamente à vontade.
Porque o mundo é nosso. Nós todos somos do mundo, que está cada vez menor.
Barach Obama é um retrato de um novo ser humano: um cidadão do mundo.
Mas tudo isso, começa na comunidade.
Que a vitória seja do "ver e enxergar mesmo".
De todos e de cada um. No mundo todo. Esse "ovo" em que vivemos. Multicoloridos, todos nós.
A.
______________________________________________
imagem: do blog. a arte de opinar

terça-feira, 4 de novembro de 2008

_________________recados


A visita do SrK e de Su* foram uma surpresa para mim, aqui,
neste espaço onde quase não vêm me ler.
Sorrio quando penso que, sem medo de errar,
são duas das pessoas que mais gostam de mim neste mundo.
Amo vocês.
Amo vocês.
Cada um por um motivo muito diferente, mas com uma intensidade de outras vidas,
outras eras...nem sei.
Por algum sagrado motivo, minha alma está sempre abraçada à
de meus dois eternos amigos, que,por sinal, nem se conhecem.
No entanto, conhecem a mim e cuidam de mim como quem
cultiva uma flor bela num jardim dos céus.
Eu agradeço. Eu agradeço.
Amo vocês
Muito e para sempre.
A.
____________________________
imagem: teufel

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

________anotações



Mais de uma da manhã. A cidade está aí, mergulhada na noite úmida.É madrugada fria para primavera, mas arde aqui dentro a mesma e intensa incógnita que se registra em mim há dias. Um cheiro forte de mudança pelo ar e eu despetalando uma flor para, quem sabe, dar conta de meus anseios por aqui.No mais, o ruído sensato e exato do relógio a me pedir para ir dormir. Não sei o que vai dar, porque não é jogo de "bem-me-quer/mal-me-quer". São apenas umas dúvidas minhas.

A._________________________________

imagem:manuela viola