terça-feira, 27 de janeiro de 2009

________livros lidos: Isabel Allende


Sou leitora assídua de Isabel Allende, na minha opinião uma das maiores escritoras da América Latina. Não costumo perder nem mesmo as adaptações de seus romances para o cinema - o que fazem na maioria das vezes com bastante competência e qualidade [ seria um verdadeiro pecado desperdiçar sua obra com a prodção de maus filmes ].
A Casa dos Espíritos é o primeiro romance de Isabel e eu, antes de ler o livro, assisti ao filme - uma produção inesquecível com atuações mais do que brilhantes de Meryl Streep e Jeremy Iron, sem falar na presença forte de Glen Close, que vivel a irmã de Esteban Trueba e grande amiga de Clara [esposa de Esteban, vivida por Meryl].
Foi por esse filme que me lancei à literatura apaixonante exercitada por Isabel Allende.
A saga da família Trueba fascinou-me e, no livro, ainda mais, dada à complexidade que as muitas páginas nos permitem visitar sempre com a alma presa e viajante, tão belo e forte o tom usado pela escritora em cada linha de sua narrativa. Viaja-se no tempo e no espaço e redescobre-se a América Latina tão rica pelo povo e tão empobrecida por ditadores. A visão sobre a questão latifundiária de nosso continente está ali esparramada de forma real e ao mesmo tempo, colorida pela fantasia viva de sentimentos seculares. Personagens ricos e inesquecíveis, a fuga do tempo essencial e o repensar de um mundo quando a mudança chega, inexorável.
Cinco estrelas? Mais. Talento e envolvimento não se pode mensurar.
São 448 páginas de vívida paixão e, ao mesmo tempo, lucidez histórica e social.
A.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

________página vazia



Procurar o que escrever. Procurar. E não encontrar. O vazio não faz sentido, porque me sinto repleta de coisas a dizer sobre uma infinidade de temas ou, até, uma bela poesia a escrever sobre...ah...sobre o amor, o desamor, talvez os dois...

Sei lá. Balbucio em pensamento e minhas palavras não se mostram desenhadas à minha frente como costuma acontecer. Dedilho o teclado feito um piano que escapa ao meu comando.

Hoje, no entanto, sou silêncio, mãos atônitas, página vazia.Tanto a dizer e nada me vem.

Lá fora, tarde vazia. tarde de vento frio e um mês de janeiro que nada tem de verão.Também o clima está perdido e confuso. Como eu.

Alguns nomes e personagens têm o poder de saltar de páginas escritas e às vezes eu me surpreendo com a força que exigem de mim sentimentos que me vêm com o vento. Então, costumo libertá-los sobre as linhas confusas em que vou desenhando as letras pulsantes como se tivessem veias e sangue a correr nelas.

É do que gosto. De emprestar a vida e derramá-la ao escrever, criando um mundo paralelo que me dá a sensação de estar sendo útil e construtiva. De me descobrir.

Quando me sinto árida assim, vazia, sinto-me exatamente como esses dias que o verão emprestou do outono: fora de época e de lugar.

....nada mais...nada menos....

____________________________A.

imagem: ret. da web [desconheço a autoria]

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

______ao mar



Há sempre uma maneira diferente, peculiar a cada um, de a gente se lançar. Quanto a mim, saí do cais há alguns milênios e nem sei mais por onde naveguei. Tudo o que sei é que vi terras e amei pessoas enquanto estive ancorada -por tempo demais, talvez -.

Ao mar me lancei, solitária e aflita, até que compreendesse que há um motivo para tudo...tudo.

Eu me lancei ao mar porque o mundo das águas é meu grande desafio, já que, por ser vento, teimo em não aprender a me deixar deslizar conforme gira o mundo...gira a vida...gira o sol.

_______________________________________________________A.

[a imagem foi ret da web e desconheço a autoria]

______reflexos


Quando a luz é pouca, a dor é mais aguda.
É preciso transigir.
É preciso transgredir de si
- de todas as falsas verdades repetidas e que acabam por nada ser -
.
A.
_________________________imagem: Rose K.