sábado, 29 de maio de 2010

___brevidade


...

Esses dias têm sido assim: confusos, estranhos,estimulantes.
O silêncio me avisa, gritando, que preciso vir.
Vir e escrever sobre flores e moinhos de vento, antes que a poeira baixe.
No entanto, do meu olhar não escapam os laços que me amarram suavemente,
à esquina em que agora estou.
Então, escrevo símbolos sobre as areias brancas da praia aflita: nada sei além do dia que me pega por inteiro e me rouba a poesia.
...
Por ora, é isso.
...
A.
_________imagem: do imotion

___a música: i'm between>>>macy gray









segunda-feira, 24 de maio de 2010

________aqueles dias...


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Sem assunto, em silêncio, fecho os olhos e, por um momento, estou novamente em um amanhecer daqueles que vivi há pouco mais de um mês.
A sensação é forte e quase posso sentir o calor e o brilho da luz daqueles dias que nasciam
provocando minha tristeza como se quisessem me fazer lembrar da força da vida.
Não. Não era um deboche.
Era, simplesmente, uma verdade explodindo, todos os dias
A vida nascia.
De todas as maneiras, ela nasce.
E renasce, transformando-se.
Foram vinte e cinco dias que vi amanhecer ali, da janela de um quarto de hospital.
Cantava baixinho para minha mãe e dizia para ela que mais um dia nascera.
Falava do céu todo azul. Azul profundo.
 A atmosfera estava tão limpa que parecia abrir caminho aos anjos.
Dias perfeitos para minha alma, tão imperfeita.
Abro os olhos e já voltei.
Há um vazio recente e minha vida
e o dias...
jamais terão aquele sabor
de mãe novamente.
É....eles eram como os sorrisos dela...dadivosos
e o azul...eram com o amor dela...profundo...
_____________

Veio o assunto.
Não é tristeza, não. 
É lembrança trazendo saudade
até mesmo da despedida.

É isso.
____________________________imagem: agla
a música: sunrise, norah jones >> basta clicar abaixo



quinta-feira, 20 de maio de 2010

____a palavra é: bordejar


[ou seria um ato?]


[enfim...a palavra descreve o ato]

.
Ela seguia calmamente.Elegantemente.
"Toda ela",   toda dona da certeza de que viver signinifica correr riscos.
[você me perdoa o clichê?]
Tinha uma lucidez impressionante.
Sabia que vivia entre a sarjeta e o céu  e que passava de uma para outro tão rapidamente
quanto emitiria um pensamento.
[se pudesse pensar realmente]
Porque era um emaranhado de sentidos, apenas e tão somente.
[ mas se até para isso, como dizem, há que ser bastante racional!]
Ah. Não importa.
Fazia parte do passeio e do asfalto e não se vestia de cor alguma além daquelas
que trazia na alma.
[ultimamente, muito cinza chumbo]
Alguém lhe faria um poema, se fosse branca, a lembrar a paz.
Entretanto, era igual a tantas, igual a muitas.
[embora teimosa, como ela só!]
Podia sim, ainda, encontrar alguém que não a chutasse, menosprezasse, ferisse.
Mas daí a ler poemas dedicados a ela?
[seria demais!]
Manchada, já não se lembrava de quê nem  por quê.
Seguia. O salto quebrara, mas ainda assim se empinava.
Para bordejar.
[bor..de..jar]
Entre o passeio e o asfalto.
Entre a sarjeta e o céu.
Quase sempre se culpando, mas ainda assim,
imperiosa, como se simbolizasse outra coisa
que não
'nada ser'.
[ah!]

_________________________________imagem: agla

segunda-feira, 17 de maio de 2010

____fuga virtual


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Nada impede a confusão da cidade,
 quando a chuva cai e está anoitecendo e as pessoas estão enlouquecidas
querendo sair de algum lugar, querendo chegar a algum lugar.
Mas, quem sabe, um distanciamento virtual.
Por detrás dos vidros  respingados
da chuva que já é fria,
um jazz intimista
e a poesia
[boa, amada companheira]
e pronto:
dali em diante, assiste como a um filme 'noir'
a vida acontecendo, agitada,
cansada, furiosa,
do lado de fora
de quem pode fingir
alguma necessária
solidão
_____________________imagem :: aglaé [editada]

...a música, ali em cima, na caixinha mágica, basta clicar, é um bom jazz,
delicioso jazz de duke e coltrane...
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quarta-feira, 12 de maio de 2010

_____ ir



E, de novo, a sensação de que comprei passagem só de ida. É assim que acontece. É assim que aconteço: ideias e sensações dançam em mim, aqui e ali, feito estalos. Às vezes, são fogos de artifício,outras parecem mais como uma estrela cadente - que de tão decadente se perdeu no mar do infinito.
É isto: estou indo e por lá fico [seja lá onde for].
Bebo um gole. É café com leite, meio-amargo, e serve para me dar aconchego.Mas a maior parte de mim está lá fora, mirando a linha do horizonte e sorrindo para o mar.
Vazio é o beijo que repousa em uma lembrança viva, aqui dentro, mas repleto é o momento em que me lanço - só pelo prazer - querer, ser - de somente ir.

A.

_____imagem: srv.[onephoto.net]



terça-feira, 11 de maio de 2010

____o que estou pensando



Já faz um tempo, escolhi. Janelas abertas e o vento bulindo, entrando, saindo, vivendo.
Faz muito tempo, resolvi. Alma solta e casa viva.
Infinito re*criar.

A.
_________________imagem: gorge h.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

___metáfora para aquele que não foi amor


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O amor, naqueles dias, era tão voraz que tinha fome até
do próprio medo.E me consumia.
Até que me faltasse toda a seiva que me tornava fértil de sentir;
 teimei até que obedeci à queima dos campos vastos de mim.
Até que desse com minha verdade mais tocante: alma deserta,forjada sob fogo sem fim.
O amor, nos dias que se estendiam sem que o sol saísse da posição mais alta,
secava e cegava meus olhos que só sabiam chorar como se, com isso,
fossem encharcar a terra e matar o deserto qu se fizera de mim.
O amor, naqueles dias,não era amor.
Era uma sede inquietante que nada vinha saciar - o sal das lágrimas apenas confirmavam a aridez onde me deitei, muda e febril.
Não. O amor, então, nada tinha de amor.
Era uma tragédia grega que agora jaz sob a terra partida do mais esquecido de mim.

A

________________.imagem. paulo madeira.




segunda-feira, 3 de maio de 2010

____imagem/mensagem


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Apesar de o século 21 gritar aos ouvidos de forma estridente os sons das descobertas já tão óbvias da tecnologia, não há como deixar para trás certas figuras de linguagem,cenas poéticas, explicações astrológicas, crendices populares...
coisas assim...da gente e do mundo que ainda traz marcas - algumas poucas, infelizmente -
de alianças antigas, tão antigas como a própria Terra.
Assim como a ligação entre a Lua e o feminino.
A Lua e a parte mulher dos seres e das coisas que existem e habitam mundos conscientes e inconscientes.
Inegável comparação.
Como a bela lua em seu minguante...tão pela metade, tão cortada -amputada- como uma mulher em pleno resquício de desamor e dor.
É como lamento silencioso que oscila enquanto orbita, carregada de lembranças e escurecida de sofrer em sua maior parte.
Minguante.Minguando.
E, note-se, não me refiro a desamor-paixão-desenlace amoroso.
Tudo isso é tão maior!
Mingua a alma feminina que se vê inteira -cheia- só se plena de amor.
Do amor real de que carece o mundo.
Do amor sentimento nobre que une gente e coisas do mundo.
Do amor atitude extrema de humanidade.
Do amor doação simples e gentil.
Do amor, exercício de dias e de noites.
Noite em que a Lua, tal qual a mulher, vela por sonos e sonhos
e desejos e lutas e lidas, de seus filhos, e filhos de seus filhos,
de filhos de outros que adotam como seus,
de seus pais, que tornam-se seus filhos...
e tantos mais...
Bela imagem, mensagem, a da Lua, sempre.
Como se agisse na noite,
 para tornar
límpido o dia,
que vem.
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A.

_______________________imagem : latające wyspy