domingo, 19 de fevereiro de 2012

_momentos roubados [delícias da vida]





Então é isso. Estou em uma sala de cinema, prestes a assistir a um filme com Daniel Craig, um de meus atores favoritos, desta vez protagonizando uma adaptação para o cinema de um romance de suspense escrito por Stieg Larsson. 
Acontece que ainda estou sozinha na sala gigante. Não é para menos, pois hoje é uma segunda-feira, são quase treze horas e a maioria das pessoas ‘normais’ está almoçando ou trabalhando. Quanto a mim, gosto de me dar esses presentes – o que tem sido cada vez mais comum desde que me ‘aposentei’. 
De novo, escrevo. É o mesmo dia. Sim, ainda é a segunda-feira, 30, estou em outra sala de cinema para uma segunda sessão. Agora, vou assistir a J.Edgar [Hoover]. 
O primeiro filme foi ótimo e, quando ele terminou, ainda fiquei ouvindo um pouco da boa música [a trilha sonora é excelente]. Depois disso, fui ao banheiro, voltei para o café, garanti o meu, simples, com leite, sem creme, meio a meio, um salgado de queijo e entrei em outra sala, desta vez a 7. 
É isso. Um presente e tanto. Registrei o momento [ou ‘os’] porque fiquei pensando nas coisas que podemos dar a nós mesmos; no que podemos fazer mesmo a sós e garantir com isso uma sensação de bem-estar e satisfação. 
Assim como há pessoas que pensam que jamais poderão fazer qualquer coisa boa se não estiverem trabalhando mais de dez horas por dia e que não se sentirão satisfeitas com nada além disso, há aquelas pessoas que acreditam que precisam de muito, muito e muitas outras pessoas ao redor delas para que se sintam bem. 
Pois bem. Nem uma coisa, nem outra. Sei bem que cada um é cada um e respeitar a individualidade para mim é sagrado. Entretanto, há muitas [sim! muitas!] coisas que podemos fazer e, principalmente, ter para nos sentirmos melhor. Podemos nos dar bons momentos. Podemos enriquecer nosso interior. Podemos buscar conhecimento. Principalmente quando, finalmente, temos um parceiro adorável, um [finalmente!] aliado: o tempo. 
Sobra-nos um tanto a mais de horas por dia. Elas podem ser produtivas para um patrão maravilhoso que merece que seja feito o melhor dos trabalhos: nosso bem-estar. 
Isso tudo não significa estar parados, feito uns inúteis e imprestáveis, aquelas pessoas largadas e amargas que ninguém gosta de ter por perto. Não. Podemos ser sorridentes, podemos ser atuantes, fazermos valer a experiência que foi pescada em mares que navegamos, conquistada nesses oceanos de lutas e trabalho e doação. E fazer valer, primeiro para nós mesmos, cada momento roubado das horas em que, de repente percebemos, não precisamos estar em nenhum outro lugar que não seja aquele. Como o meu momento, nas salas de cinema, quando resolvo passar a tarde mergulhada em algo que amo; como as tardes em que me demoro na Livraria, bebendo café com leite e vendo o que há de novo e batendo um papo com os livreiros; como sair com a câmera para fotografar as ruas da cidade, as pedras do caminho, os passarinhos urbanos. 
Como fazer natação e hidroginástica e deliciar-se com o bem que a água faz. 
Permitir-se continuar crescendo, desta vez aproveitando cada momento que parece roubado como se fora aula cabulada, mas que na verdade não é. E garantir que a nossa melhor companhia, esta pessoinha que habita em nós, esteja muito feliz. 
É isso. 
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Referências a dois filmes ótimos,por sinal: 

“Os homens que amavam as mulheres”, direção de David Fincher, baseado no primeiro volume da triologia Millennium, de Stieg Larsson. Um thriller que, como o livro, prende a atenção do princípio ao fim. O destaque é para a atuação de Rooney Mara, no papel da ‘garota com tatuagem de dragão’. E, claro, as imagens suecas. 
O outro filme, “J.Edgar”, direção de Clint Eastwood, com Leonardo DiCaprio no papel do idealizador e primeiro diretor do FBI, John Edgar Hoover. É uma biografia muito bem trabalhada, com uma excelente atuação do elenco e uma direção primorosa. 

Vale a pena assistir aos dois. Façam isso e depois, me digam! 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

__copo meio cheio

Eu bebo do copo meio cheio e relato minhas horas em folhas de papel que vão se acumulando como pedaços de mim. Escrevo a lápis. Não porque pretenda apagar as palavras, mas porque, agora, voltei às origens de meus escritos e de minha caligrafia. O lápis desliza e vai tecendo de maneira mais fluente cada palavra, cada frase. 

Eu bebo do copo meio cheio. E recebo dos dias um tanto de brisa, um tanto de chuva e o pó que se acumula sobre os móveis antigos, mas que antes de assentar sobre eles fez pequenas luzes coloridas pelo ar enquanto eu observava, encantada, sua dança.
Assim minha quietude se abraça e se deita bocejando mais letras.
Bebo do copo meio cheio. Porque prefiro assim.
E para quem prefere beber do copo meio vazio entrego a caixa repleta dos benefícios da amargura. Se é que ela tem algum. 
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É isso.
Sou isto.
Assim.

______________imagem: do blog 'para onde gira o mundo'