quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

_____elos

Estava lendo alguma coisa de Nietzche, há pouco. Jamais me demoro nele, que sempre me dá uma certa 'aflição', se posso chamar assim. Ali, ele mencionava o abismo entre o animal e o super-homem, local onde se encaixa o homem,
que vem a ser uma corda ligando um ponto a outro.
Dessa vez, além da já mencionada 'aflição', senti, ou melhor, vislumbrei, a cena, em si. E deparei com aquilo que somos ou desejamos ser, tão pequenos em nossas limitações, pelas quais vamos até um certo ponto e...não mais...não mais...
Não sei bem por que, mas nesta minha mensagem que encerra o ano, quero deixar registrado esse anseio que nós é tão comum [ a nós, que ainda desejamos e tentamos fazer alguma coisa a respeito da mesquinharia reinante em nosssa espécie ] : sermos o que somos e respeitarmos os outros conforme eles são. Isso é tão básico que nem sequer deveria ser um ideal, porém é luta, batalhada dia a dia, sol a sol, bem sabe que sofre na pele os cortes, as navalhadas do preconceito.
O que realmente me anima [ e muito!] é que depois de passar toda a infância e a adolescência de minha filha ensinando a ela o valor de cada um e o respeito às diferenças, vejo-a forte e vigorosa a desprezar rótulos, preconceitos e ideias mesquinhas. Ela silencia a audiência, quando impõe sua voz e, bem articulada, faz-se entender com uma firmeza que nada tem de agressiva: ela consegue ser extremamente calma, quase doce.
Então, nesses momentos em que vejo uma jovem de 23 anos, ela própria vítima de preconceitos quando menina, sinto que tudo isso que está aí, deve ser trabalhado em casa. Sim, em casa. Em família. É preciso que se volte a dar educação aos filhos, em seu sentido amplo, buscando torná-los cidadãos de um mundo em constante mutação, onde cabem todos os tons, as nuances, os sons, as canções, os sorrisos e onde, definitivamente, deve imperar o amor. O amor, também ele, em seu sentido mais amplo: o amor que respeita, liberta e toca no outro porque se sabe que cada um, na verdade, é apenas um elo de uma grande, imensa, corrente.
Essa coisa de cada um fazer a sua parte não é balela, não.
É possível! E como é!
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[ que aprendamos a tempo a nos conectar!]

eu e minha filha Bianca,recém- nascida, em 1987*
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um forte abraço
feliz 2011

Um comentário:

Instantes Escritos disse...

Que bonito Aglaé!! O trabalho de casa dos pais é fundamental na educação e percurso dos filhos! Tão básico, tão premente...!
E...nessa simplicidade que lhe é característica aqui fica uma lição, uma lembrança!!