quarta-feira, 14 de março de 2012

____amores moderno$





Alguns dias me pegam com um sabor amargo, bem aqui, na boca de minha alma.
E ainda há quem diga que sou doce.
Hoje é um desses dias. Dias em que não creio mais  nas coisas baratas que se compra na zona franca da vida moderna. O 'amor' [por onde andará ele] tem sido vendido e alvo de pechinchas risíveis. Mas para que me demorar pensando em amores que não são meus? Por que me preocupar se as pessoas pensam que estão realmente amando?
Vejo olhos vazios de amor. Os homens de quarenta e cinco, cinquenta, sessenta, setenta...fazem filhos nos ventres jovens e sarados de suas Lolitas como se estivessem carimbando um passaporte para a eternidade e querendo demonstrar sua extasiada virilidade em matérias pagas para revistas tão infantis quanto o ser humano urbano hoje é capaz de ser. Elas, dizem-se apaixonadas pela 'experiência' dos homens que conquistaram com duas jogadas de cabelo, dez sessões de bronzeamento depois e algumas  horas de academia. Como eles são mais maduros, estáveis, $$$$, $en$íveis...e como são bons na cama. Alguns até funcionam além da pílula azul.
Vidas estampadas em revistas ideais para consultórios médicos e dentários [alguém realmente lê aquelas matérias?].
Bom, eu avise...estou com aquele sabor amargo, hoje.
Vontade de ver amor nos olhos das pessoas. Há muito não vejo.
Tudo me parece tão negociável e descartável- tudo perfeito, bonito, estudado, milimetricamente dosado. Um festival de dentes branquíssimos e silicones e narizes perfeitos. Tanquinhos mais admirados através do espelho do que uma boa conversa com alguém interessante.
Vi um garoto fazendo isso. Vi dois. Vi três. O espelho era mais olhado que as meninas que passavam. Depois, saem para 'pegar mulher'. Já ouviram isso?
É.Mais ou menos como se estivessem penduradas no varal às portas, pelas ruas.
Então bebem. Bebem. E bebem mais um pouco. E 'pegam'. Quem mesmo? Nem viram!
E aquelas conversas boas que costumavam aproximar homens e mulheres?
Gente. Era muito bom!
Tudo está tão barato [ e ainda se pechincha mais!] que perde a graça.
E eu perco a graça por ficar aqui pensando nisso tudo com um saudosismo inútil de quem viveu grandes amores. Intensos. Enquanto duraram tiveram clima de parceria apaixonada, com direito a fazer amor sem fazer pose como se fosse fotografar para capa de revista. Fazer amor de suar. E rir depois. De alegria genuína por estar ali, ao lado de uma bela alma e um corpo danado de gostoso!
Ah.
Eu avisei. Hoje, nem eu me aguento!
______________________________..
imagem: do blog modaeglamlour



2 comentários:

João Esteves disse...

Foi 14 de março esse hoje seu, não foi? Ah, bem já passou. Tudo na vida, inclusive a própria e o tempo que não sabe fazer outra coisa senão passar, né Aglaé?
Este comentário atrasado provavelmente a encontrará em outro estado de alma, que isso muda mesmo, o das mulheres então chega a ser folclórico. Mas de uma coisa esteja certa, suas reflexões encontraram em mim total assentimento, estamos perfeitamente afinados no que toca a essa aqui muito bem descrita banalização e esse barateamento pechinchável do amor. Penso exatamente a mesma coisa, só que por minha ótica. Gostei de ler Amores Modernos.

Aglaé Gil disse...

Ah...meu caro João ...achei que ninguém leria isso...
sobretudo, tinha mesmo que ser você a comentar mesmo tempos depois!
E um comentário que, sinceramente, me fez sentir muito bem. Primeiro, porque o admiro e a suas ideias. Por demais!
Segundo porque minha linha solta aqui alcança alguém como você. E isso já é tudo.
Obrigada por me emprestar seus olhos certeiros, sua alma ampla.
É...aquele 14 de março foi uma fúria! rsrsrsr
Sim....hoje estou mais 'amena'....
Um grande abraço...!