segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

____estatística/vida

imagem: via minhocanacabeca.com.br


Pelas telas das tevês escorrem lágrimas de sangue. 
Nos jornais, a tinta é vermelha e os números - inimagináveis- transformam crimes brutais e pessoas em mera estatística.
E eu - um milhão de 'eus' - passo - passamos nós - . Os que preferem ser essa individualidade para a posse, o consumo, mas se distancia - sem rosto, sem alma - dos que, como ele, compõem números...números.
O pensar matemático nos trouxe o imediatismo, o resultado exato e nos transformou - a nós e nossos pensamentos - em equações. E eis que a nossa capacidade de simplesmente nos colocarmos no lugar do outro - próximo ou distante - foi reduzida a mínimos comentários saídos da lingua de fogo da LÓGICA.  
Assim, rotula-se antes mesmo de pesar uma ciscunstãncia, uma causa, um sentir. 
O resultado - reação precisa ser rápido, tão célere quanto a fúria do pensamento que se habitua aos poucos a não admitir falhas - como se a vida fosse exata. 
A partir disso, da equilibrada e retilínea operação matemática tão proeminente hoje, qualquer fraqueza torna-se um defeito, uma falha imperdoável, pois é como se o mundo não tivesse espaço para nada que seja menos que perfeito dentro do padrões construídos matematicamente, minuciosamente.
O que não estiver "dentro" desse sistema de coisas é equacionado como um item marginal. É fraco, está abaixo das expectativas criadas com milimétricas  projeções.
No mundo dos "super" não cabe quem se importa, quem se relaciona com abertura de alma, tolerância e boa vontade.Ora, se 1.000 foram mortos em um atentato, por exemplo [ e portanto em consequência de muita intolerância sob qualquer aspecto], são 1.000 PESSOAS e não um número isolado, um dado na estatística comum.  
São mil vidas, mil amigos de outros, mil filhos de alguém.
E nós, muitos de nós, passamos. 
Retos, distraídos no minuto seguinte pelo próprio e importante mundo que nos torna aparentemente "normais".
Passamos. Corremos para garantirmos a nossa posição no "ranking"  dos dados estatísticos  em que se encaixam aqueles que, POR ENQUANTO enquanto, estão livres do mal.
 ...

* Em tempo:

Quando nossa sensibilidade é roubada pela LÓGICA fabricada de antemão por um sistema que nos pretende "ensinar"a viver, abrimos espaço para o domínio, a tirania, o controle desmedido do nosso destino. [Nosso e dos que, neste mundo, são considerados "diferentes"].


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