segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

____nós, hoje

[imagem: jessica durnt]

...
A gente saliva um pouco, engole e segue adiante.
Somos emudecidos por tantas carrancas deste tempo - o nosso, arrastado tempo em que se explode 
por um piscar de olho mais ousado.
E a gente se controla enquanto pode - porque
pode ser que o outro nem possa mais.
O susto das notícias é algo que mora em casa, abre
a geladeira e lancha ao nosso lado, numa bancada
usada como mesa, porque mal se tem tempo para
comer ressoando  histórias em família.
O ponto é este: afastamento.
Nós nos afastamos - e começamos a fazer isso
em casa.
Nós nos perdemos uns dos outros.
Já não sabemos [ou sabemos muito pouco]
onde moramos e do que gostamos.
Uma tevê conversa conosco - monólogo do absurdo
e ansiedade subliminar.
Ela ocupa o lugar da mãe, do pai, do filho, do marido, da mulher e do olhar carinhoso que seria tempo de dar
sobre nós mesmos.
Somos o risivel submundo do que criamos.
E se já foi necessário acordar aguma vez,
agora é a hora de fazê-lo
mais do que sempre.
...
A gente saliva e sente falta do beijo
não dado.
Sorri de lado e se expõe ao hoje ridículo
hábito de estar alegre e de bem com a vida.
...
 
 
Aglaé.
 
 


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