domingo, 30 de agosto de 2009

______eu me deito, caminho...



Algumas vezes a gente sente como se fosse o próprio caminho, em vez de o caminhar. Alternam-se as sensações, os sentimentos. Alternam-se os pensamentos e aquilo em que acreditamos. Não somos, em nossa alma, todos nós, linhas retas. Antes, temos formas tortuosas com as quais nos ocupamos sem sabermos para onde seguimos e é isso que nos faz ser quem somos. De que falo? Eu me repito aqui, como uma ave que volta toda primavera para o mesmo lugar buscando o aconchego para reconstruir seu ninho. Eu me repito e incansável que sou, refereindo-me ao que todos nós somos e sentimos e pensamos como seu conhececesse a fundo a alma humana. Não é verdade. Nada sei. Nada conheço além do pequeno cômodo no qual resido, que ocupo lenta e onde dormito, coberta de calor - ora abafado, ora benfazejo. Entretanto, volto a repisar minhas tênues pedras, as que me fazem caminho, calçada em paralelepípdedos. A nada estou nivelada, como muitos, acredito, também não estão. Os pés alheios não me ferem. Apenas me fazer recordar da necessidade que sobre mim estejam para que eu aprenda e me deitar, mansamente, sobre a terra de que me fez a vida, o caos, a Lei, o amor, a magia suprema de dias antigos que se repetem, jamais em vão.

A.

_____________________imagem: gerard koehl

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