quinta-feira, 22 de abril de 2010

_____lições


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E o que teria aprendido a cada dia, desses que se arrastam ou voam - já nem sei - entre mnhas apreensões e meus carinhos voltados à minha origem?
Talvez eu tenha me angustiado inutilmente - talvez a angústia seja sempre inútil mesmo...talvez eu tenha expulsado de mim alguma dor que desmaiara anos atrás junto do meu leito.
Posso ter aprendido a me desfazer do peso das palavras vazias, dos gestos bruscos e, até, das perguntas gastas.
Talvez a dor que minha mãe me ensina a vencer tenha me ensinado o domínio sobre minha fraqueza extrema e até a vitória sobre os excessos.
Lições que se tem todos os dias, num lugar como este têm um peso e um aproveitamento tão maior.
Como quando a gente mistura lágrimas nossas às de outrem e percebe que ambas têm
o mesmo gosto e sal. Do sal que tempera a vida e as almas.
Por ser o aprendizao minha mais cara missão, habituei-me a amar o preço pago por cada lição.
E aprendo sentindo que ainda nem comecei a aprender.
Que, quanto mais me vem, mais necessita vir.
E sigo, ainda que os que amo vão ficando pelas estações.
 Eu me mantenho no trem até que chegue a minha
vez de desembarcar.
Tomara com tamanha força.
Tomara com tanta dignidade.
Lições....
Tantas há que não me cabem.
Tantas há que aqui não cabem.
E a rara paciência de reconhecer-me sem nada saber.
E a lição que ensino?
Se posso, a de ter vontade de aprender.

A.
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imagem: sean dugan


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