segunda-feira, 16 de agosto de 2010

____uma outra viagem


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Não adianta. Quem escreve não deixa de ser triste. É uma essência entre outras, por certo, mas está lá. Uma tristeza infinda. Como uma tatuagem, marca a alma de quem escreve. Se não for assim, não escreve. Não tem jeito.
Então, vez ou outra, lá venho eu com minhas 'lamúrias'. A de hoje, por exemplo é aquela, antiga, que a gente ouve por aí todos os dias [ou quase]: 'tudo passa'.
E...passa mesmo!
E passa de um jeito tão rápido que, por mais que a gente saiba disso e sinta-se preparado, sempre se surpreende.
Quando se dá conta, abre bem os olhos ou os fecha momentaneamente - quem sabe tentando resgatar a imagem 'amarrada' à lembrança - e constata, aturdido: já passou.
Chamem do que quiserem.Nostalgia, por exemplo, é uma palavra linda e figura, por si só, toda uma legião de sensações, sentimentos, lembranças vivas.
Não importa o nome que se dê. Dói.
E mesmo que se tenha aquela frase pronta em mente, gravada ali a ferro e fogo, quase que por uma obrigação de toda uma geração [ 'eu não me arrependo de nada do que fiz...'] , sente-se a dor que é muito, muito próxima de um arrependimento. A gente se arrepende, sim. De ter passado. De não ter agarrado aquele momento um tanto a mais. De não repetir vários outros. A gente se arrepende de ser tãopassageiro em meio a um infinito que se expande...expande...expande...
Dói. Não importa o que digam.
Isso não quer dizer, em absoluto, que tal dor seja ruim e que nos leve a terríveis depressões. Não.
É da vida. A dor é da vida, sim.
Para cada um rima de um jeito. Mas rima.
E o que passa, fica ali, feito uma cena que se passa do lado de fora de uma janela.
A visão meio embaçada tira da gente a sensação de que quase...quase...pode tocar e, de novo, estar lá.

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_____________________imagem: [aglaé.]

Um comentário:

ZildaeAntonio disse...

Oi, Aglaé
Amei seu texto e me identifiquei muito com ele. Sinto tudo passar e muito rápido. Lembro de quando era adolescente ( e já faz tanto tempo...)queria que tudo passasse bem depressa. Queria fazer 15 anos, depois 18 e logo 21. Nada mudava, só depois eu percebi e quando percebi passei a viver mais intensamente os momentos felizes e procurar esquecer os tristes. Foi aí que não me arrependi mais.Tudo de bom para vc, é o que desejo!