sábado, 11 de setembro de 2010

_____outra vida


...

E lá estava eu, de novo, parada em frente ao grande relógio da estação de minhas letras. Marquei passagem para algumas horas antes do pôr-do-sol, porque sentia que precisava estar fora da cidade maldita de meus medos. Escolhi o destino usando o dedo e um mapa. Acertei em cheio  em uma ilha da polinésia da poesia, mas como não poderia chegar lá de trem, mergulhei na atitude sensata de embarcar para Minas e as vontades do Dirceu de Marília.
Ah...o tempo...angustiado, fazia graça de si mesmo e eu brincava de roda em torno dele.
Os ponteiros estavam inertes e eu cantava as canções que algum alaúde [mais antigo que a própria poesia de Dirceu] gritara séculos atrás.
Não sei. Sempre que eu queria voltar à estação de minhas letras havia uma razão maior para tudo. Principalmente para me ver florida, vestida em fitas e rendas.
Quando abria os olhos, o grande relógio engolira com avidez a minha poesia.
E eu sorria. Só.
...

_________imagem: s.tempo

Um comentário:

ZildaeAntonio disse...

Embora o texto não tenha relação com o meu atual momento, vejo-o como uma explosão de sentimentos!
Muito bom e bem escrito!
Um abraço e tudo de bom!