quinta-feira, 16 de outubro de 2008

___________uma saída



Há um cansaço intenso, imenso. Sou a partida, o primeiro passo adiante e sem uma sequência infinda de outros passos que me levam para muito longe daqui.

Sigo meu pensamento, vou com o vento e não quero pensar, porque cada pensamento é perigoso no sentido de me deitar novamente à mágoa e ao rancor, coisas que não quero sentir, não quero ver.

Eu abraço meu caminho porque é o que tenho a abraçar e me sinto pequena e vã, menor que o grão de areia daquela praia que, há muito, abandonei. E cada palavra sai de mim sem sentido, porque sou um sopro, agora.

Mas ainda sou eu. Há pessoas que não entendem isso, mas eu entendo. Ser o que a gente é, por inteiro, não é fácil, nem sempre bom e vantajoso, porém é tudo o que se tem, é a bagagem mais cara e preciosa.

Escrevo por escrever e, de repente, tudo faz sentido, mas naturalmente não para quem me lê. Não importa. Estive aqui. Isso me faz presente e adequada à minha realidade. O resto são sombras.

A.

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imagem: mariah

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