quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

______dor

Dói aquela dor de que não se pode escapulir.
E não há um só canto de quarto, galho de árvores,
terraço de prédio onde se possa resguardar desta dor.
Acena e penetra, sem nada dizer.
Nenhum anjo pode acudir antes que ela se instale.
Nenhuma canção pode dela falar com propriedade.
Porque ninguém entende a dor que é de outrem.
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Dói em silêncio porque o grito se perde no vento que assola
a cidade, à noite.
Na noite mais negra que todas as outras.
Então a impaciência se veste de tintas escuras, outras poucas claras,
para compor uma sentida aquarela entristecida.
E escreve seus poemas como quem faz chover estrelas.
Do alto de uma torre feita de sonhos que estão prestes a desabar.
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A.
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imagem: paulo madeira. jóias celestiais

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