quinta-feira, 20 de maio de 2010

____a palavra é: bordejar


[ou seria um ato?]


[enfim...a palavra descreve o ato]

.
Ela seguia calmamente.Elegantemente.
"Toda ela",   toda dona da certeza de que viver signinifica correr riscos.
[você me perdoa o clichê?]
Tinha uma lucidez impressionante.
Sabia que vivia entre a sarjeta e o céu  e que passava de uma para outro tão rapidamente
quanto emitiria um pensamento.
[se pudesse pensar realmente]
Porque era um emaranhado de sentidos, apenas e tão somente.
[ mas se até para isso, como dizem, há que ser bastante racional!]
Ah. Não importa.
Fazia parte do passeio e do asfalto e não se vestia de cor alguma além daquelas
que trazia na alma.
[ultimamente, muito cinza chumbo]
Alguém lhe faria um poema, se fosse branca, a lembrar a paz.
Entretanto, era igual a tantas, igual a muitas.
[embora teimosa, como ela só!]
Podia sim, ainda, encontrar alguém que não a chutasse, menosprezasse, ferisse.
Mas daí a ler poemas dedicados a ela?
[seria demais!]
Manchada, já não se lembrava de quê nem  por quê.
Seguia. O salto quebrara, mas ainda assim se empinava.
Para bordejar.
[bor..de..jar]
Entre o passeio e o asfalto.
Entre a sarjeta e o céu.
Quase sempre se culpando, mas ainda assim,
imperiosa, como se simbolizasse outra coisa
que não
'nada ser'.
[ah!]

_________________________________imagem: agla

4 comentários:

Paulo Braccini disse...

Estamos sempre assim a "bordejar ... entre o passeio e o asfalto, entre a sarjeta e o céu." Não importa se mais na sarjeta ou se mais ao céu, pois eles são, tão somente, faces de um mesmo SER e de um mesmo VIVER. São os paradoxos da EXISTÊNCIA.

Adorável isto ...

bjux

;-)

Aglaé disse...

é isso, Braccini!
...
a bordejar...

beijos

@.@

fá... disse...

__ borde, borde já,
num bordejar lindo, ponto a ponto,
nasce um poema lindo, e para quem?
quem pegar! (entre a sajeta e o céu)
migalhas dormidas do seu pão...
.
.
amo você.
.
beijos
I+1®

Angela disse...

mas esse emaranhado de sentidos, não é apenas e tão somente...

esse emaranhado de sentidos é a composição, a bula do teu interior!

venho lhe deixar um abraço,

boa noite, Agla!

beijos!