quinta-feira, 6 de maio de 2010

___metáfora para aquele que não foi amor


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O amor, naqueles dias, era tão voraz que tinha fome até
do próprio medo.E me consumia.
Até que me faltasse toda a seiva que me tornava fértil de sentir;
 teimei até que obedeci à queima dos campos vastos de mim.
Até que desse com minha verdade mais tocante: alma deserta,forjada sob fogo sem fim.
O amor, nos dias que se estendiam sem que o sol saísse da posição mais alta,
secava e cegava meus olhos que só sabiam chorar como se, com isso,
fossem encharcar a terra e matar o deserto qu se fizera de mim.
O amor, naqueles dias,não era amor.
Era uma sede inquietante que nada vinha saciar - o sal das lágrimas apenas confirmavam a aridez onde me deitei, muda e febril.
Não. O amor, então, nada tinha de amor.
Era uma tragédia grega que agora jaz sob a terra partida do mais esquecido de mim.

A

________________.imagem. paulo madeira.




2 comentários:

Paulo Braccini disse...

#tenso

mas de extremamente lúdico ... ilustração de tirar o fôlego

adorável o conjunto

bjux

;-)

ateliervirtual disse...

ah...acabo de vir do ato primeiro, e na viagem desci aqui...
amanhã volto para ler teu espaço amíude!

beijos!