quarta-feira, 5 de novembro de 2008

____de quem é a vitória?


Não me omito ao fato de que o final do governo Bush e de tudo o que ele significou para o mundo me deixa profundamente aliviada. É como um sopro bom de ventos vindos do renascer.Tampouco estou alheia ao que representa um homem, filho de um negro do Quênia (ironia do destino!?), estar no topo do poder nos USA e, por assim dizer, do mundo.
Eu aplaudo os bons ventos que sinalizam mudanças, ainda que de forma sutil - aqui para mim, que tenho esta impressão medonha com relação ao que nos vem, a nós, do terceiro mundo, ou de um país emergente, como queiram, dos Estados Unidos da América. Aplaudo, sim. Porque sou uma admiradora de Martin Luther King e do sonho que ele plantou em solo americano hostil aos afro-descendentes.
Aplaudo, porque o velho e cansado mundo carece de um sorriso como esse, de Barach, tão seguro e tão elegante em sua maneira de se conduzir para nos fazer lembrar que não, não é necessário sermos tão belicosos contra nós mesmos.
Aplaudo. Tanto quanto me aquece ver como 44º. presidente de um país onde milhares de afro-descendentes sofreram um racismo violento e destemperado - como se fosse menos violento apenas o fato de senti-lo, o que acontece veladamente em todo lugar!-, um mulato que, naturalmente, deve ter tido que matar uma dúzia de leões a mais por dia desde sua mais tenra idade.
Ah...mas aqui, na minha insignificância, de onde estou, na América do Sul, num país que escravizou e explorou os africanos que nos vieram como escravos e que mesmo depois de "libertos" permaneceram sofrendo a angústia da marginalização, eu tenho mesmo é que pensar nos nossos brasileiros afro-descendentes. E, pensando, sempre, continuar lutando para dar vazão
à igualdade de oportunidades. E isso,começa em atitudes pequeninas. Viver as diferenças é mais difícil do que se pensa. Porém, num paradoxo, muito mais fácil também.
Será que vou ouvir alguém dizer que Barach é um "negro de alma branca"????
Ah...sabem que nem duvido?
Quando isso vai acabar?
A vitória, que seja de quem reconhece que o mundo que está nascendo, aos poucos, devagar, mas firmemente, só tem espaço para pessoas que estariam bem em Blangadesh, em Bagdá, New York, São Paulo, Juazeiro, Petrolina, Porto Alegre, São Paulo, Havana....
É...é bem isso. Perfeitamente à vontade.
Porque o mundo é nosso. Nós todos somos do mundo, que está cada vez menor.
Barach Obama é um retrato de um novo ser humano: um cidadão do mundo.
Mas tudo isso, começa na comunidade.
Que a vitória seja do "ver e enxergar mesmo".
De todos e de cada um. No mundo todo. Esse "ovo" em que vivemos. Multicoloridos, todos nós.
A.
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imagem: do blog. a arte de opinar

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